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O recuo da maré de setembro de 2024 — e os barcos que voltaram cedo demais
Episódio
O extremo
Os termômetros gritaram aversão, todos ao mesmo tempo — coisa rara. O humor e o apetite por risco, os dois eixos domésticos, despencaram juntos numa mesma passagem mensal, e o medo voltou ao fundo da escala. Mas embaixo da superfície o dinheiro fazia o contrário do que a boca dizia: começava a desmontar, pelas bordas, a fortaleza defensiva dos meses anteriores. Setores castigados pararam de cair contra o índice justamente no mês em que o pânico subia. Em números: o humor recuou de 60,6 para 31,3 e o apetite de 64,0 para 27,2; a razão Commodities/IBOV saltou mais de um desvio, de z −1,85 para −0,84, enquanto as Utilities cediam o topo (1,37 → 0,69). Selic a 10,75% ao ano, dólar a R$ 5,54.
O que aconteceu depois
A estrutura leu cedo — e o resto do mercado demorou a alcançá-la. Três meses depois, em dezembro/2024, a casa terminou de se arrumar: o score de intermercado disparou de 35,9 para 100,0, risk-on forte. Mas a rua pegava fogo no mesmo painel — o dólar a R$ 6,097 (z 3,46), juros reais perto de 3,8 desvios, Selic já em 12,25%. Em março/2025, seis meses adiante, o humor explodiu para 77,5, euforia, com a Selic no teto de 14,25% — e a estrutura, teimosa, recusou a festa. Só em setembro/2025, doze meses depois, o esqueleto bateu o martelo: os cíclicos assumiram a liderança (z 0,09 → 1,18), com o juro em 15,0%.
O que não aconteceu
Setembro não foi o fundo do medo. Quem leu o pânico como exaustão errou: em dezembro o humor abriu ainda mais baixo, a 14,0. O barco das commodities, que voltava à água, encalhou de novo — um ano depois, Commodities (R$)/IBOV estava em z −1,30. A Selic não deu trégua: subiu de 10,75% a 15,0% no intervalo. E a recomposição das margens não virou ganho rápido: maturado em seis meses, setembro/2024 rendeu −3,5%, abaixo da faixa central, veredito de ambiguidade.
Veredito honesto
A estrutura antecipou o destino — o retorno do capital ao ciclo — mas antecipar o rumo não é acertar o tempo. No horizonte de seis meses, ler a recomposição como sinal de compra teria dado prejuízo. Quando a superfície e o esqueleto divergem nessa magnitude, nenhum dos dois governa sozinho. A maré que recua marca o começo de um processo, não o seu fim.
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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar
Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.
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