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Dois relógios marcando horas diferentes: dezembro de 2024

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O extremo

Dezembro de 2024 fechou o ano com o painel do Radar contando duas histórias incompatíveis. Por dentro da bolsa, o dinheiro recompôs apetite em bloco: o score de intermercado, que abrira o mês em 35,9, terminou cravado em 100,0 — risk-on forte. Mas a parte que mede dinheiro e câmbio gritava o oposto. O dólar fechou em anomalia, a R$ 6,097, e os juros reais de mercado de 5 e 10 anos marcaram desvios perto de 3,8 desvios-padrão. A Selic subira para 12,25% ao ano. Dois relógios, horas diferentes.

O que aconteceu depois

A casa, e não a rua, conduziu o que veio em seguida. Em janeiro de 2025 o humor disparou de 41,6 para 66,5 e o apetite por risco saltou para 69,0 — o setor financeiro liderou a recomposição, premiado por uma Selic já a 13,25%. Em março, a euforia chegou ao topo: humor a 77,5, apetite a 73,7, com a Selic no teto de 14,25%. Mas a estrutura de intermercado se recusou a confirmar a festa, parada em risk-off moderado. Em julho a conta chegou: o humor despencou de 92,3 para 39,0, e a euforia desceu para encontrar a defesa que a estrutura nunca abandonara. A Selic terminou em 15,0%.

O que não aconteceu

A narrativa fácil — "o intermercado cravou 100, logo virou o ciclo" — não sobrevive ao arquivo. A virada de dezembro foi de precificação relativa, não de regime: o score doméstico permaneceu defensivo (26,5) o tempo todo, e a euforia que se formou em 2025 nunca foi validada pela estrutura. Tampouco a tensão da rua cedeu rápido: o dólar ainda fechou janeiro a R$ 6,02, e os juros reais seguiram em desvio elevado. A reconciliação de julho veio pela queda do humor, não pela melhora da economia.

Veredito honesto

Em dezembro de 2024, a casa leu cedo o que a rua ainda precificava como caro. Quem tomasse o 100 do intermercado por virada de ciclo teria confundido rotação com regime: a euforia de 2025 foi real e efêmera, a Selic só subiu, e a defesa esteve certa o tempo todo. Quando dois relógios discordam, costuma ser o mais teimoso que dá a hora.

Continue a história: Os juros reais em anomalia (2024) · O câmbio que comandou (2024) · Quando os termômetros discordam →

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Personagens: Estrutura (intermercado) · Dólar · Juros (Selic) · Humor