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A Selic travada em 14,25%: o juro que não veio socorrer

Derivado

O extremo

Durante a crise de 2015, o juro básico não se mexeu. Mês após mês, os mensais registraram a mesma frase: a Selic meta cravada em 14,25% ao ano. Em agosto, com o apetite por risco no fundo da escala e três pressões macro fora de banda, o remédio monetário já estava no limite — e o paciente não respondia. Um juro alto que não conseguia ancorar nem o câmbio nem a confiança fiscal.

O que aconteceu depois

O juro continuou parado enquanto o mercado se movia por baixo dele. Em setembro o dólar rompia de novo as bordas a R$ 3,9065; em novembro o intermercado caía a 12,2, e a Selic, intacta. Quando o degelo afinal começou, em fevereiro/2016, foi o intermercado que subiu (de 13,1 para 22,4) — não o juro. Em março, a estrutura cruzou para risk-off moderado (43,3) e o ânimo disparou a 95,5; a Selic, ainda 14,25%. E em agosto/2016, com a bolsa já reorganizada em terreno neutro (50,1), os mensais seguiam anotando os mesmos 14,25% ao ano — agora como pano de fundo que favorecia bancos, não como instrumento de socorro.

O que não aconteceu

O juro não foi cortado para resgatar o mercado. Quem esperava o alívio chegar pela política monetária esperou demais: a estrutura de preços rimou a virada meses antes de o Banco Central mexer na taxa. A ordem foi mercado-antes-do-juro, não o contrário. Tratar o corte futuro como gatilho de entrada teria sido perder a recuperação que já estava escrita no intermercado.

Veredito honesto

A Selic descreveu fielmente a aridez do regime — alta o tempo todo, inútil para estancar a fuga. Mas como sinal de inflexão chegou tarde. O mercado costuma virar antes do juro; quem espera o corte para se mover, chega depois.

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Personagens: Juros (Selic) · Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco)