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A Selic a 15% e a euforia que cede

Derivado

O extremo

Toda a febre de 2025 aconteceu sobre o mesmo pano de fundo: o juro doméstico no topo do ciclo. Em julho/2025, quando o humor de mercado despencou de 92,3 para 39,0, a Selic estava em 15,0% ao ano e o dólar a R$ 5,53. Não é detalhe de moldura. Com a renda fixa pagando perto de 15% nominais, o custo de oportunidade de ficar comprado em risco era alto demais para que qualquer entusiasmo de superfície se sustentasse sem confirmação. A euforia subia; o juro, paciente, cobrava.

O que aconteceu depois

O juro no teto trabalhou em silêncio. Em agosto/2025 ele engoliu o tijolo: o IFIX/IBOV afundou para z −2,12, porque o ativo que paga renda recorrente é o primeiro a perder a disputa contra a taxa livre de risco. A Selic ficou cravada em 15,0% por meses — emoldurou agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro e janeiro/2026. O primeiro corte só veio em março/2026, para 14,75%, com o IPCA do mês ainda alto, em 0,88%. Em maio/2026 a taxa recuou a 14,5%, e o humor capitulou ao pessimismo extremo (12,6) justamente quando a estrutura começava a se recompor.

O que não aconteceu

A narrativa de manual — "juro no topo derruba a euforia" — falha no detalhe. A euforia não foi derrubada pela Selic: visitou o otimismo extremo de novo em agosto, setembro, novembro e janeiro/2026, com a taxa parada em 15%. O juro alto não apagou o humor; apenas garantiu que ele não virasse fluxo amplo. E o primeiro corte tampouco trouxe alívio óbvio — março/2026 reconciliou os eixos num ponto morno, não otimista, com a inflação ainda incômoda.

Veredito honesto

A Selic a 15% foi o adversário paciente de 2025 — nunca derrubou a euforia de uma vez, mas impediu que ela significasse algo. O juro no teto não apaga o entusiasmo; só cobra o preço de ignorá-lo, mês após mês.

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Personagens: Juros (Selic) · Humor · Estrutura (intermercado)