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De 100,0 a 0,0 — e o caminho de volta que ficou pela metade
Artigo
Há números que vivem apertados no meio da escala, indo e voltando sem nunca tocar as bordas. O Índice de Risco Perene não foi um deles. Entre março de 2014 e agosto de 2015, ele percorreu a régua inteira — do topo ao fundo — e depois levou meses tentando refazer o caminho. A história de um ciclo cabe, às vezes, na trajetória de um único mostrador.
O extremo
No começo, era confiança sem contrapeso. O dinheiro doméstico voltava ao risco em força total, e a medida não deixou margem de dúvida: cravou o teto. Dezessete meses depois, o mesmo ponteiro encostou no chão. Em números: o Índice de Risco Perene saltou de 31,8 para 100,0 em março/2014, o teto absoluto da escala; em agosto/2015 fechou em 0,0, o piso. No mesmo arco, o dólar foi de R$ 2,3261 a R$ 3,5143, o endividamento público passou de fora de cena a 62,97% do PIB, e a Selic subiu de 10,75% para 14,25% ao ano.
O que aconteceu depois
A descida não foi em linha reta. Em março/2015, a meio caminho, o ânimo ainda hesitava em chamar aquilo de defesa — o Risco Perene marcava 55,2, neutro —, mas a composição do capital já tinha decidido: o intermercado recuara para 37,8, com o dinheiro migrando para serviços públicos e matérias-primas em reais, o que não depende de o Brasil crescer. Depois veio o fundo de agosto. E só então a volta começou. Três meses de melhora ininterrupta levaram o intermercado de seu piso a 43,29 em março/2016, quando os bancos saíram do chão — Finanças/IBOV de −1,65 para 0,18 — e o índice de ânimo da casa disparou de 51,8 para 95,5.
O que não aconteceu
A volta não se completou. Quem esperasse o Risco Perene refazer a subida inteira — de 0,0 de novo a 100,0 — não a encontrou: em março/2016, ele marcava apenas 54,0, de volta ao neutro, longe do teto. O número que gritou euforia em 2016 foi outro, o ânimo em 95,5; o eixo de risco ficou para trás. E a estrutura tampouco normalizou — 43 ainda é aversão moderada, não terreno calmo. A dívida, que já assustava no fundo, seguiu subindo para 66,3% do PIB. O ciclo desenhou um círculo, mas o traço não fechou.
Veredito honesto
O Risco Perene percorreu a régua inteira na queda, em dezessete meses; na volta, em outros sete, alcançou só a metade. A simetria que a memória gosta de impor — topo, fundo, topo de novo — não estava nos números. A queda foi um penhasco; a recuperação, uma escada. E quando o ânimo já voltava a gritar comprar, a estrutura ainda estava arrumando a casa.
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Personagens: Fluxo (apetite por risco) · Estrutura (intermercado) · Humor · Dólar
Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.
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