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A euforia no topo — março/2014, quando o apetite cravou 100 e não houve continuação

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O extremo

A euforia parecia não ter teto — até encontrar o teto. Em março de 2014, o apetite por risco doméstico subiu ao ponto mais alto que a escala admite, depois de ter partido do fundo apenas três meses antes. O medo enraizado do começo do ano virou confiança sem reservas, e de uma vez só.

Mas a euforia subiu sozinha. Enquanto o humor estourava, a estrutura de intermercado mal respirou: ficou parada no terreno neutro, e as razões setoriais por dentro da bolsa não confirmaram o entusiasmo. O termômetro marcava febre; o corpo não tinha temperatura.

Em números: o Índice de Risco Perene saltou de 31,8 ao teto de 100,0, enquanto o intermercado ficou imóvel (54,08 → 53,88). Selic a 10,75% ao ano, dólar firme a R$ 2,33.

O que aconteceu depois

A euforia durou um mês. Em junho/2014, três meses depois, o Risco Perene estava em 62,9 — o próprio relatório da época registrou que março "chegou a 100,0 e devolveu". Aos seis meses, setembro/2014 desfez tudo: o apetite despencou para 14,1, virando para aversão ao risco, no fundo da série. Aos nove meses, dezembro reabilitou o humor a 90,4, mas com o intermercado já encolhido para 49,4. E aos doze meses, março/2015 mostrou a travessia inteira: dólar a R$ 3,1395 (desvio de z ~4), endividamento público a 59,49% do PIB, Selic a 12,75% — a antessala da crise.

O que não aconteceu

O topo de apetite não foi seguido de continuação da alta. O mercado costuma ler 100,0 como confirmação de tendência; o arquivo mostra o oposto. O intermercado nunca subiu para validar o humor — ficou neutro em 53,88 enquanto o termômetro estourava. Quem comprou a euforia esperando mais comemoração herdou, em vez disso, a deterioração rumo a 2015.

Veredito honesto

A leitura acertou o entusiasmo do momento e flagrou o descompasso — humor no teto, estrutura parada —, mas o extremo de apetite valeu mais como aviso de fragilidade do que como sinal de continuação.

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Personagens: Fluxo (apetite por risco) · Estrutura (intermercado) · Cíclicos × defensivos · Dólar

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