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Os três alarmes de agosto de 2015 — e o fundo que não era fundo
Marquee
O extremo
Em agosto de 2015, o Radar registrou algo raro: os três alarmes da casa tocaram juntos. O apetite por risco doméstico desabou ao fundo absoluto da escala, e a estrutura de intermercado cruzou para aversão na forma mais aguda. Por trás do número, três pressões macro romperam ao mesmo tempo suas próprias bordas históricas — o câmbio, o endividamento público e a tensão fiscal. Em números: o Índice de Risco Perene de 79,1 a 0,0, o intermercado de 21,3 a 14,6, o dólar a R$ 3,51 e a dívida em 62,97% do PIB.
O que aconteceu depois
A aversão não recuou — aprofundou-se primeiro. Em novembro/2015, três meses depois, o intermercado caiu ainda mais, de 20,6 para 12,2, com o capital abandonando as commodities e correndo para o que rende sem depender da economia (Utilities no ponto mais alto da leitura). Só em fevereiro/2016 veio o degelo de superfície: o intermercado saiu do fundo para 22,4 — ainda em aversão forte. E foi preciso quase um ano: em agosto/2016 a estrutura voltou ao terreno neutro (50,1), com a liderança setorial trocando de mãos.
O que não aconteceu
O extremo de agosto de 2015 não foi o fundo. Quem lesse o fundo da escala como "não há mais para onde cair" teria errado: novembro foi pior. A Selic tampouco trouxe alívio — ficou cravada em 14,25% ao ano o ano inteiro. E o dólar não reverteu de imediato: passou de R$ 3,51 a R$ 3,78 antes de ceder. A normalização não foi um salto; foi um ano.
Veredito honesto
A leitura de aversão extrema acertou o regime, mas não o tempo. O fundo de um indicador não é o fundo do ciclo: a aversão máxima marca o começo de um processo, raramente o fim de uma queda.
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Personagens: Fluxo (apetite por risco) · Estrutura (intermercado) · Dólar · Juros (Selic)