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Os juros reais em anomalia: o prêmio raro do fim de 2024

Derivado

O extremo

No fim de 2024, o Radar registrou nos juros reais de mercado um dos prêmios mais raros de toda a série. Já em novembro o desvio aparecia — z de +3,43 em dez anos e +3,59 em cinco. Em dezembro o quadro endureceu: os juros reais de 5 e 10 anos e a derivada do juro real ex-ante marcaram entre 3,82 e 3,88 desvios-padrão, território que a série quase nunca visita. A Selic havia voltado a subir, fechando o ano em 12,25% ao ano. Era o custo do dinheiro doméstico em estado anômalo.

O que aconteceu depois

O prêmio anômalo não se desfez — foi ratificado pela política monetária. A Selic seguiu subindo: 13,25% em janeiro de 2025, 14,25% em março, até 15,0% em julho. O que o juro real anomalia antecedeu, dentro da bolsa, foi uma divisão nítida de vencedores. Em janeiro o setor financeiro foi reabilitado, premiado por viver de spread em regime de juro alto: Finanças/IBOV saltou de z −1,08 para +0,84. Do outro lado, os fundos imobiliários — os mais sensíveis a juro real — foram castigados: IFIX/IBOV afundou de 0,00 para −1,20, com o juro real de 10 anos ainda em z +3,16 no começo do mês.

O que não aconteceu

O juro real em anomalia não antecedeu uma normalização rápida, nem puniu a bolsa de forma homogênea. Quem lesse "+3,8 desvios é insustentável, logo vai recuar" teria esperado um alívio que não veio — a Selic só subiu por mais sete meses. E o juro alto não derrubou tudo igualmente: separou quem lucra com ele (bancos) de quem sofre com ele (imobiliários e cíclicos). A anomalia não foi um sinal de reversão iminente; foi a descrição de um regime que se aprofundou.

Veredito honesto

O desvio histórico dos juros reais no fim de 2024 não era um elástico esticado prestes a voltar — era o retrato de um aperto que ainda tinha caminho pela frente. Um prêmio raro descreve o preço do risco do momento; não promete a hora em que ele cede.

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