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Os dois deltas que pareciam virada — novembro de 2021
Episódio
O extremo
Dois movimentos pareciam anunciar que o pior tinha passado. Os cíclicos, que outubro havia jogado a quase três desvios abaixo dos defensivos, pararam de cair e recuperaram mais de um desvio padrão. As finanças, mornas até então, deram um salto e cruzaram para o terreno positivo. Lidos sozinhos, eram dois gestos de quem volta a apostar no ciclo doméstico. Mas os termômetros de regime contavam outra história — e era a deles que valia. Em números: Cíclico/Não-Cíclico recuperou +1,15 e fechou em −1,55; Finanças/IBOV foi de −0,37 a 0,76; o risco perene subiu do piso absoluto de 0,0 para apenas 9,2, ainda em risk-off; a grade de intermercado avançou de 36,67 para 43,06, ainda defensiva. Selic a 7,75%, dólar a R$ 5,56, dívida em 78,22% do PIB.
O que aconteceu depois
O capital trocou de assento, mas não saiu da sala defensiva — e seguiu trocando de assento por um ano inteiro. Em fevereiro/2022, a grade de intermercado disparou para 72,48, risk-on forte, mas porque o Brasil virou a ilha que recebia o fluxo que o mundo dispensava, com o risco global ainda em 41,2. Em maio, os cíclicos voltaram ao topo (de −0,37 para 1,01) e a defesa devolveu o terreno conquistado — "trocando de mãos quase a cada mês", como registrou a leitura. Em novembro/2022, a roda girou de novo: commodities reabilitadas de −1,44 para +1,00, cíclicos despencando de 1,71 para −0,73, o Ânima desabando de 75,0 para 45,9.
O que não aconteceu
A recomposição de novembro não foi a virada de regime que os dois deltas sugeriam. O risco perene que saiu do zero não emendou uma escalada rumo ao apetite — recuou, voltou a subir, recuou outra vez. O humor doméstico, parado em 39,0 no neutro, não cruzou para a confiança naquele mês nem firmou pé nos seguintes. Quem leu a recuperação dos cíclicos como fundo do ciclo confundiu rearranjo de móveis com mudança de casa.
Veredito honesto
A leitura do mês acertou ao chamar o movimento de recomposição de pesos, não mudança de regime — e essa honestidade resistiu ao ano. O que ela não tinha como saber é que o vai-e-vem duraria doze meses: defesa e apetite trocariam de assento sem que nenhum dos dois se instalasse. Um delta forte numa razão setorial descreve para onde o dinheiro foi; raramente prova que o regime virou.
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O Radar lê esses regimes todos os dias. Veja a leitura de hoje →
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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar · Cíclicos × defensivos
Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.
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