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Setembro de 2021: o humor brasileiro despencou de 43,8 para 9,4 — e o capital correu para dentro de casa
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O extremo
O humor doméstico não cedeu — ruiu. Em setembro de 2021, o sentimento do investidor brasileiro cruzou do terço inferior, onde já vinha abatido, direto para o fundo da régua: desânimo profundo, sem paralelo recente neste registro. Em números: o índice Ânima caiu de 43,8 para 9,4, o eixo de risco perene acompanhou de 21,8 para 13,1, e a grade de intermercado recuou de 44,8 para 37,47.
Mas o medo tinha geografia. Enquanto o ânimo desabava, duas razões setoriais saltaram juntas: as commodities precificadas em real contra o IBOV pularam de 0,12 para 1,53 desvio, e as utilities, de -0,40 para 0,95. O pano de fundo: Selic em 6,25% ao ano, IPCA mensal de 1,16%, dólar a R$ 5,28. O capital não fugiu do país — fugiu para ativos reais e contratados, dentro da própria bolsa.
O que aconteceu depois
O abrigo defensivo seguiu se enchendo. Em dezembro de 2021, com a Selic já em 9,25% e o dólar a R$ 5,65, as utilities esticaram de 0,90 para 1,67 desvio e os fundos imobiliários (IFIX/IBOV) subiram de 1,08 para 1,74 — enquanto os bancos desertavam (Finanças/IBOV caiu de 0,76 para -0,36). Em março de 2022, com a Selic em 11,75%, as utilities cravaram 1,97, o ponto mais alto de toda a grade.
O refúgio cambial, esse, murchou. Com o real mais forte em meses (dólar a R$ 4,97 em março), as commodities em real recuaram de 0,98 para 0,07 — aritmética de câmbio, não de convicção. Em setembro de 2022, com a Selic cravada em 13,75%, as utilities continuaram sendo "o refúgio que não soltou prêmio", subindo de 1,29 para 1,47.
O que não aconteceu
O pânico da Ânima em 9,4 não anteviu um tombo. Seis meses depois, a configuração de setembro/2021 maturou com retorno realizado de +7,1% — o mercado subiu apesar do desânimo extremo. E a fuga não foi para fora do país: foi para dentro, em utilities e ativos reais. Quem leu o índice de humor como gatilho de venda errou a direção.
Veredito honesto
Meio acerto: a geografia do medo estava certa — as utilities seguiram ganhando prêmio até março/2022 —, mas o desânimo recorde não previu queda; o índice subiu 7,1%. O próprio motor classificou setembro/2021 como leitura insuficiente.
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Personagens: Humor · Estrutura (intermercado) · Commodities · Dólar · Juros (Selic)
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