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O primeiro corte de juro: a Selic confirmou o que o mercado já tinha lido

Derivado

O extremo

Durante todo o fundo de 2016, o custo do dinheiro não se mexeu. Mês após mês, a Selic apareceu cravada em 14,25% ao ano — em fevereiro, em março, em junho, em setembro — enquanto a estrutura da bolsa já invertia de sinal e a inflação ia desidratando (o IPCA caiu a 0,43% em março e a quase nada em setembro). O juro alto era o pano de fundo que cobrava coerência de qualquer otimismo. E ficou parado bem depois de o mercado ter começado a virar.

O que aconteceu depois

O primeiro corte só veio um ano depois da virada da estrutura. Em março/2017 a Selic encerrou em 12,25% ao ano — e, no mesmo mês, o intermercado cruzou para risk-on forte (70,6), o apetite mais agressivo da série recente. O capital já tinha se reposicionado entre as classes brasileiras; o juro mais baixo chegou para ratificar um movimento que os preços relativos vinham desenhando havia meses.

O que não aconteceu

O corte não foi o gatilho da recuperação. Quem esperasse a Selic ceder para acreditar na virada teria perdido o ano inteiro em que a estrutura liderou — março/2016 já invertia com o juro intacto em 14,25%. E o corte também não acendeu euforia: no mesmo março de 2017, o Ânima recuava a 36,3, esfriando enquanto o fluxo esquentava. O juro confirmou; não comandou.

Veredito honesto

A Selic ficou alta até o mercado já ter virado, e o primeiro corte chegou para confirmar o que os preços relativos haviam lido um ano antes. O juro é a última peça a se mover — confirma a recuperação, raramente a inicia.

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Personagens: Juros (Selic) · Estrutura (intermercado) · Humor