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O fundo de 2016: a estrutura virou antes do humor — e muito antes dos juros

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O extremo

Em março de 2016, os preços relativos da bolsa inverteram de sinal enquanto o noticiário ainda era sombrio. O setor financeiro, descartado havia meses, saltou quase dois desvios-padrão num único mês; as commodities em real, que lideravam, perderam a dianteira. Era a estrutura se recompondo por baixo, sem alarde. Em números: Finanças/IBOV de -1,65 a +0,18 de desvio, o intermercado de 22,4 a 43,3 (terceiro mês de melhora) e o dólar cedendo a R$ 3,70.

O que aconteceu depois

A recuperação foi real, mas irregular. Em junho/2016 o humor disparou à frente dos preços: o Ânima cravou 89,7 (otimismo extremo) e o Risco Perene foi a 100, enquanto a estrutura de intermercado mal se moveu (34,8, ainda em aversão moderada). Em setembro o entusiasmo recuou sem aviso — o Risco Perene colapsou de 44,5 a zero. E só em março/2017, doze meses depois, a estrutura de fluxo cruzou firme para risk-on forte (70,6), com a Selic enfim sendo cortada, de 14,25% para 12,25%.

O que não aconteceu

Não houve subida limpa. Quem lesse a virada de março como "agora é só ladeira acima" enfrentaria um ano de idas e vindas: o humor superaqueceu em junho, a leitura quantitativa zerou em setembro, e humor e estrutura passaram meses contando histórias diferentes. O alívio dos juros, então, demorou um ano inteiro a chegar.

Veredito honesto

A recomposição começou pela estrutura dos preços relativos — meses antes de o humor confirmar e bem antes de os juros cederem. Quem só observa o sentimento chega tarde; quem só observa os juros chega depois.

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Personagens: Estrutura (intermercado) · Humor · Fluxo (apetite por risco) · Juros (Selic) · Cíclicos × defensivos · Commodities