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O primeiro aperto de 2021 — o apetite a 94 e a convicção parada em 50

Episódio

O extremo

Comece pela contradição, não pelo número. Em março de 2021, três termômetros da casa contaram histórias incompatíveis no mesmo mês: o apetite de fluxo disparou ao topo da régua, a estrutura setorial recuou e o humor de fundo não saiu do lugar. E havia um detalhe que ninguém quis encaixar na euforia — foi também o mês do primeiro aperto do ano, quando a Selic deixou o piso de 2,0% que vigorava desde o fim de 2020. O apetite cravava euforia justamente quando o custo do dinheiro começava a subir. Em números: o Índice de Risco Perene saltou de 27,7 a 94,2 — a maior amplitude de virada da série —, enquanto o intermercado cedia de 65,01 a 58,77 e o Ânima mal se mexia, de 48,0 a 50,1. Selic a 2,75%, IPCA de 0,93%, dólar a R$ 5,6461.

O que aconteceu depois

O apetite que rompeu o teto não se sustentou. Três meses adiante, em junho, o Risco Perene havia devolvido quase tudo — de volta a 31,3 —, e o aperto seguia: a Selic já estava em 4,25%. A convicção que março deixara contida fez um desvio cruel antes de capitular: subiu à euforia em maio, com o Ânima a 84,6, e só então ruiu. Em setembro, seis meses após o extremo, o humor estava no fundo da régua, a 9,4, com a Selic em 6,25% e o capital fugindo para dentro de casa. Doze meses depois, em março/2022, a Selic batia 11,75% — mais de quatro vezes o nível do primeiro aperto.

O que não aconteceu

O teto do apetite não anunciou um avanço durável. Quem leu 94,2 como sinal de compra e segurou colheu uma queda: o próprio registro maturou março/2021 em seis meses e mediu −4,9%. Tampouco o eixo contido foi um guia confiável — o Ânima não ficou parado em 50; disparou à euforia e só então desabou. Nenhuma das três leituras serviu de bússola estável. E o primeiro aperto não foi um ajuste pontual: virou um ciclo que mais que quintuplicou a Selic em um ano — do piso de 2,0% a 11,75%.

Veredito honesto

A leitura de apetite extremo capturou a direção — o veredito determinístico classificou março/2021 como acerto de banda —, mas sobre uma base rasa e com retorno negativo dentro da faixa. O ensinamento é desconfortável: apetite de fluxo no teto, no exato mês em que o aperto começa, mede entusiasmo, não durabilidade. O preço corre adiante; a convicção raramente o segue na mesma velocidade.

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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar

Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.

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