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O líder cede o microfone — o rodízio escondido no topo de dezembro de 2020
Episódio
O extremo
Os três termômetros da casa raramente apontam para o mesmo lugar. No fim de 2020, apontaram — todos no extremo superior do apetite, sem contrapeso. Risco perene encostado no teto, humor em otimismo extremo, intermercado em risk-on forte. Mas a unanimidade era a parte fácil de ler. Por baixo dela, o líder do ano começou a ceder o microfone: o tema cíclico, que dominara a bolsa, perdeu fôlego justamente no mês em que o sentimento cravou o auge. Em números: o índice de risco perene de 58,4 a 95,7, o Ânima de 64,3 a 65,8, e a razão Cíclico/Não-Cíclico recuando de z 1,82 para 1,09 — a maior mudança da grade. Selic em 2,0% ao ano, dólar a R$ 5,15.
O que aconteceu depois
O rodízio que dezembro começou seguiu adiante. Em março/2021, o esticamento das commodities afrouxou (z de 2,61 para 1,85) e os defensivos reagiram — Utilities/IBOV saiu de −1,76 para −0,93, o maior avanço da grade. Em junho, a primazia das matérias-primas perdeu fôlego de vez (Commodities/IBOV de 1,50 para 1,18), enquanto o eixo cíclico, que dezembro vira arrefecer, reaproximava-se do zero. Os termômetros, colados no topo em dezembro, recuaram: o risco perene devolveu sessenta pontos num único mês. E o registro fechou a conta — maturado em seis meses, dezembro/2020 foi classificado acerto, com retorno de 7,1%, perto da mediana de 7,7%.
O que não aconteceu
O otimismo extremo não foi sinal de topo. Quem lesse a unanimidade dos três termômetros no auge como véspera de queda teria errado: seis meses depois, o retorno era positivo. O respiro dos bancos tampouco virou tendência de imediato — Finanças/IBOV, que ensaiara recuperação em dezembro, voltou ao fundo absoluto da grade em março (z de −2,12). E a liderança cíclica não desabou: apenas perdeu impulso, sem cruzar para baixo de zero. A redistribuição foi lenta, não um estouro.
Veredito honesto
Ler rodízio interno num topo de humor sinalizou maturidade de ciclo, não risco iminente — e, dessa vez, a maturidade ainda comportava ganho: o retorno veio. Mas o acerto se apoia em base rasa, apenas seis episódios comparáveis. A lição é mais sóbria que a vitória: quando o humor crava o topo e o líder começa a trocar por dentro, o sinal é de transição, não de fim. O preço pode seguir subindo enquanto a hierarquia muda embaixo.
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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar
Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.
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