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O juro no piso, o cíclico no fundo — janeiro de 2013
Episódio
O extremo
O dinheiro estava mais barato do que nunca, e mesmo assim ninguém quis a economia real. A Selic no piso da série deveria ter sido um convite aos setores que vivem do ciclo — indústria, consumo, tudo que respira com a atividade. O fluxo doméstico fez o contrário: enterrou os cíclicos um pouco mais fundo, ao ponto mais baixo do trimestre. Quem recusa um presente costuma saber de algo. Em números: a razão Cíclico/Não-Cíclico desceu de -1,59 para -2,09; o Índice de Risco Perene caiu de 78,6 para 26,7, de volta ao risk_off; Selic a 7,25% ao ano, dólar a R$ 2,03 e um IPCA de 0,86% no mês — o mais alto da sequência recente.
O que aconteceu depois
O fluxo tinha razão para desconfiar. Em abril, a Selic subiu de 7,25% para 7,5% — o primeiro aperto depois de um longo afrouxamento. E o setor que janeiro ainda tratava como preferido, o financeiro, não sobreviveu à virada: a razão Finanças/IBOV despencou de z 2,74 para -1,31 num único mês, deslocamento de 4,05 desvios, o maior já registrado pela estrutura. Em julho a Selic já estava em 8,5%, terceira alta seguida, e os cíclicos seguiam travados no fundo (-1,57), sem recuperar nada. Em janeiro de 2014, com a Selic a 10,5%, continuavam enterrados. A folga monetária que parecia eterna durou só mais alguns meses.
O que não aconteceu
O fundo dos cíclicos em janeiro não foi um fundo. Quem leu -2,09 como "não há mais para onde cair" errou: eles ficaram ali, deprimidos, por mais de um ano. E o juro no piso não era um piso — era uma véspera. O alívio monetário que deveria favorecer a economia real estava prestes a se inverter, e o fluxo já agia como se soubesse. Tampouco houve fuga ordenada para os abrigos: as defensivas mal se moveram (Utilities ganhou apenas Δ +0,35), e o medo não recompôs nada com convicção.
Veredito honesto
A leitura de janeiro foi contraditória por dentro: o Índice de Risco Perene gritava risk_off a 26,7, enquanto o intermercado subia ao terreno neutro, de 16,5 para 49,9. Dois eixos, dois sentidos. O honesto era admitir que nenhum deles contava a história sozinho — o que havia era um mercado esvaziando apostas ofensivas sem fechar a conta. O sinal mais fiel não estava no índice de humor, mas na teimosia dos cíclicos em recusar o dinheiro barato. Esse, o motor leu certo — só não soube dizer que levaria um ano de altas de juro para se provar.
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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar · Cíclicos × defensivos · Juros (Selic)
Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.
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