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O esticão dos cíclicos a 3,39 desvios — a posição cara demais para durar
Episódio
O extremo
Maio havia partido o apetite por risco; junho o deixou ambíguo. Então o mercado brasileiro não mudou de direção — mudou de temperatura, e mudou exagerado. A preferência por setores cíclicos sobre os defensivos disparou a um patamar que a série histórica quase nunca visita: três desvios e meio acima da média. Não é a notícia de que os cíclicos lideram. É a notícia de que lideram com uma intensidade que costuma exigir cautela na própria leitura — porque a estatística não separa convicção genuína de exagero de fluxo. Em números: a razão Cíclico/Não-Cíclico saltou de um z de 0,97 para 3,39; o financeiro recompôs a média que perdera primeiro (−1,75 a 0,36); as utilities fizeram o caminho espelhado (0,00 a −1,21); e o Índice de Risco Perene foi de 68,9 a 93,6, encostando no topo da régua.
O que aconteceu depois
O esticão não durou. Em outubro/2010, o eixo cíclico devolveu quase tudo, fechando em 1,18 — e a liderança simplesmente trocou de inquilino, com as commodities em reais assumindo a ponta (Commodities/IBOV de 1,23 a 2,45). O regime de fundo, porém, seguiu otimista: 71,9, ainda risk_on. O cansaço veio depois, e por outra porta. Em janeiro/2011 o Índice de Risco Perene despencou ao piso (2,8), cravando risk_off — não por euforia, mas pelo descompasso dos juros. E em julho/2011 ele repetiu o tombo (73,4 a 14,8), com o capital fugindo para o aluguel dos fundos imobiliários.
O que não aconteceu
O 3,39 não foi um topo que quebrou. Quem leu o esticão como sinal de reversão iminente do risco errou: o regime não desabou — ficou otimista por meses. O capital não fugiu da bolsa; só mudou de endereço, dos cíclicos para as commodities. E quando o apetite enfim cedeu, meio ano depois, a causa não foi a euforia de julho, mas a estrutura de juros que ninguém olhava.
Veredito honesto
A leitura acertou a tensão: 3,39 desvios não se sustentam, e outubro provou — o esticão foi devolvido sem estardalhaço. Mas não previu nem tempo nem direção. Uma razão esticada marca o exagero de um setor, raramente o destino do regime. O Radar capturou a posição cara demais para durar; não a consequência dela.
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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar · Cíclicos × defensivos · Anomalia estatística
Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.
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