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O fim de 2010: o termômetro em 100, o crédito de saída

Episódio

O extremo

Há um número que apareceu uma única vez naquele fim de ano: 100,0. Em dezembro de 2010, a leitura de intermercado cravou o teto absoluto da escala — apetite por risco no máximo, sem contrapeso aparente. Quem olhasse só o teto, porém, perdia o essencial. No mesmo mês, a liderança que vinha organizando o mercado desde setembro — os bancos — saía de cena. A plateia aplaudia de pé no instante em que o protagonista deixava o palco. Em números: o intermercado subiu de 78,98 para 100,0, enquanto a razão Finanças/IBOV despencava de um z de 2,21 para 0,48 (Δ −1,73), a maior queda isolada do mês, e o eixo cíclico cruzava para −1,31. O Índice de Risco Perene, mais cauteloso, ficou em 63,7 — neutro. A distância entre 100 e 63,7 era o aviso.

O que aconteceu depois

O teto não se sustentou. Três meses depois, em março/2011, o termômetro que cravara 100 estava em 31,56 — risk_off moderado —, com o capital correndo para elétricas (Utilities/IBOV a 2,89) e os bancos ainda no fundo (Finanças/IBOV em −0,81). Em junho houve um respiro: Finanças/IBOV saiu da enfermaria, de −0,67 para −0,04, quase no equilíbrio. Mas o alívio foi breve. Doze meses depois do teto, em dezembro/2011, os bancos haviam afundado a −1,39 — mais fundo do que em dezembro de 2010 —, o intermercado seguia em risco reduzido (30,22) e o dinheiro pagava caro pelo abrigo, com Utilities/IBOV a 2,24. A confiança de dezembro de 2010 não atravessou 2011.

O que não aconteceu

O 100,0 não foi largada de uma alta. Foi o ponto mais alto que o termômetro de superfície tocaria por muitos meses — dali, só desceu. E a liderança bancária não voltou: o lampejo de junho não virou recuperação; até o fim de 2011 os bancos estavam mais castigados do que quando começaram a sair. O número máximo não anunciou força nenhuma.

Veredito honesto

O motor não previu a queda de 2011. Mas, no mês do teto, registrou que o 100,0 era oco: o agregado gritava enquanto a estrutura se desfazia, e a distância para o índice doméstico mais cauteloso ficou exposta. Um termômetro no teto mede o entusiasmo da sala, não a saúde de quem está em cena. Quando o número máximo coincide com a retirada de quem mandava, o teto costuma ser fim de ato — não abertura.

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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar

Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.

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