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O degelo que parou na superfície — o intermercado a 50,1 em agosto de 2016

Artigo

O extremo

Um índice no centro da escala costuma significar calma. Em agosto de 2016, significou o contrário. O intermercado voltou ao terreno neutro depois de quase um ano de aversão — o degelo de superfície que faltava desde o fundo de 2015. Mas a leitura agregada era uma média, e a média escondia movimento. No mês anterior, a preferência por ações cíclicas chegara ao ponto mais esticado de toda a série; em agosto, desmontou. Em números: o intermercado subiu de 45,8 para 50,14; a razão Cíclico/Não-Cíclico recuou de +2,87 para +1,78 de desvio, enquanto Finanças/IBOV saltou de +0,13 para +1,11. A maior força de alta e a maior força de baixa do mês foram, ambas, internas à bolsa.

O que aconteceu depois

O dinheiro que se cansou da aposta cíclica não saiu de cena — sentou-se na cadeira dos bancos. Com a Selic cravada em 14,25% ao ano, a migração tinha lógica: o setor financeiro prospera onde o custo do dinheiro é caro, e o dinheiro continuava caro. Por isso o índice agregado mal se mexeu enquanto a liderança trocava de mãos. O Risco Perene fechou em 44,5, também neutro; o dólar recuou a R$ 3,2097, o nível mais baixo da série; o IPCA cedeu a 0,44%. Nada no topo anunciava a sucessão de cadeiras embaixo.

O que não aconteceu

O degelo não foi uma virada de regime. A aversão não deu lugar à euforia: o eixo de risco seguiu neutro e neutro permaneceu. O humor doméstico tampouco acompanhou os preços — continuou em otimismo extremo, a 73,4, descolado de uma estrutura apenas morna. E o neutro não significava mercado parado: por baixo, cíclicos cediam, bancos subiam, e a desafeição por commodities se aprofundava (Commodities/IBOV de −0,17 a −0,66). A calma da superfície não era calma.

Veredito honesto

Um índice no centro da escala diz menos do que parece. Informa a temperatura média, não a corrente por baixo. Em agosto de 2016, a leitura honesta não estava no 50,14 — estava na troca de comando que o número, sozinho, não contava.

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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco)

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