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O cômodo que o entusiasmo escolheu — abril de 2021
Episódio
O extremo
Não houve drama; houve mudança de endereço dentro da própria casa. Os dois termômetros domésticos do Radar apontaram para lados opostos, e foi nessa contradição que morou o mês: o eixo mais nervoso recuou do teto enquanto o humor de fundo, anestesiado havia meses, finalmente acordou. O dinheiro, de quebra, voltou a preferir o que respira com a economia. Em números: o índice de Risco Perene desceu de 94,2 para 55,9, largando o nível colado no teto; o Ânima subiu de 50,1 para 63,6, o ponto mais otimista do humor no ano; e a razão Cíclico/Não-Cíclico saiu de praticamente zero (z 0,03) para 0,41. Selic a 2,75%, IPCA de 0,31%, dólar a R$ 5,56.
O que aconteceu depois
A preferência pelo cíclico parecia o começo de algo. Não era. Em julho, o eixo de risco foi ao chão — de 31,3 a 0,0 — e o abrigo que costuma apanhar mais numa aversão, a renda imobiliária, foi o que menos sofreu (IFIX/IBOV recuperou meio desvio). Em outubro, a virada se completou: a razão Cíclico/Não-Cíclico desabou para um z de −2,70, quase dois desvios abaixo, enquanto as commodities em real subiam a 2,95 sobre o IBOV. O cômodo que abril havia escolhido — o dos cíclicos — foi abandonado às pressas. Em abril de 2022, o arco fechou: os defensivos voltaram ao topo, com os fundos imobiliários cruzando para o lado positivo (z 0,94) e as utilities em 2,51.
O que não aconteceu
A contradição de abril não se resolveu pelo lado otimista. O Ânima, que acordara animado, não puxou o eixo de risco para cima — três meses depois os dois desciam juntos, sem briga. E a preferência cíclica que o mês anotou como possível consolidação não se consolidou: virou seu oposto antes do fim do ano. Queda do teto também não foi colapso imediato — o Risco Perene levou até julho para zerar. Nada em abril desabou; tudo apenas mudou de lugar, mais devagar do que a leitura sugeria.
Veredito honesto
A leitura de abril acertou o espírito e errou a direção. O entusiasmo de fato não saiu do prédio — mas o cômodo que ele escolheu foi o errado. Ler o avanço dos cíclicos como uma preferência ganhando raízes era o convite mais natural do mês; seis meses depois, era a fuga mais aguda da grade. Reequilíbrio é real; a direção dele, quase sempre provisória.
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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar
Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.
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