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O ciclo partido ao meio — abril de 2014 e o fim das compras às cegas
Episódio
O extremo
Março comprou tudo. Em trinta dias, abril desfez metade — mas não foi um recuo qualquer. Foi uma triagem. O dinheiro doméstico parou de comprar o mercado e começou a comprar endereços: manteve os cíclicos ligados ao consumo e ao crédito de dentro de casa, e largou as matérias-primas que dependem do apetite lá fora. O mesmo ciclo, dois destinos opostos. Em números: o Índice de Risco Perene devolveu mais da metade do fôlego de março, de 100,0 a 46,2, de volta ao neutro; a razão entre cíclicos e defensivos saltou de z −0,17 a +0,92, o maior avanço da estrutura; e as matérias-primas contra o índice amplo afundaram de −0,77 a −2,10, o extremo inferior da leitura. Selic a 11,0% ao ano, dólar a R$ 2,2328 — o real ainda firme.
O que aconteceu depois
A triagem não foi um prelúdio de alta; foi o começo de um regime de escolha que durou meses. Em julho/2014 o apetite imediato desabou outra vez ao terreno de aversão (Risco Perene de 62,9 a 23,7), enquanto a estrutura seguia premiando os bancos (Finanças contra o índice amplo de z +0,64 a +1,39). Em outubro o dinheiro voltou — e voltou aos mesmos endereços: Finanças saiu de −0,13 a +0,71, o maior deslocamento do mês. Só em abril/2015 o arranjo dos refúgios se desfez de vez, com o prêmio das matérias-primas em reais evaporando (z de 1,46 a 0,13) e a Selic já em 13,25% ao ano. O mercado nunca mais comprou tudo.
O que não aconteceu
A liderança dos cíclicos não era confiança na economia. Quem leu o salto de z +0,92 como aposta limpa na atividade errou: o apetite que o sustentava ruiu em julho, e a Selic não parou de subir. As commodities tampouco ficaram para sempre no fundo — recuperaram terreno relativo já nos meses seguintes. E o neutro de 46,2 não era alarme: soou como moderação, não como aviso. O aviso veio depois.
Veredito honesto
Abril acertou o fenômeno — o mercado havia parado de comprar tudo e passado a escolher — e a seletividade de fato persistiu. Mas escolher não era sinal de alta; era sintoma de um ciclo que se deteriorava. A leitura de moderação descreveu bem o presente e calou sobre o futuro: a aversão estava a três meses de distância, e o motor não a viu chegar.
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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar
Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.
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