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IFIX × IBOV: quando o tijolo só sobe porque o papel desaba

Artigo

O extremo

Uma razão pode disparar sem que ninguém tenha comprado nada. Foi o que aconteceu com a relação IFIX/IBOV — fundos imobiliários medidos contra o índice de ações — no mês em que o medo doméstico virou liquidação. Lida sozinha, a disparada sugeria uma corrida ao tijolo. A leitura honesta era a oposta: o IFIX não subiu, o IBOV é que cedeu mais rápido, e qualquer ativo que cai menos parece subir na conta. Em números: IFIX/IBOV saltou de 1,02 para 4,16 em março/2020, com o dólar em R$ 4,8839 (anomalia estatística), a Selic cortada para 3,75% ao ano e o índice de risco perene no fundo, em 10,6. O tijolo não foi escolhido; apenas resistiu ao desabamento do papel.

O que aconteceu depois

Dezoito meses adiante, em setembro/2021, o mercado viveu outro susto — desta vez de origem doméstica. O humor desabou de 43,8 para 9,4 na escala Ânima e o capital, agora, de fato escolheu para onde correr. Só que o tijolo ficou de fora da escolha. Os fundos imobiliários apenas rastejaram de volta ao zero, de -0,82 para 0,09 em razão de intermercado, enquanto os abrigos de verdade eram outros: commodities em real saltaram de 0,12 para 1,53 e as utilities, de -0,40 para 0,95. Selic em 6,25% ao ano, dólar a R$ 5,28. Quando o investidor pôde eleger o refúgio, preferiu o ativo real protegido pelo câmbio e o fluxo defensivo contratado — não o imóvel listado.

O que não aconteceu

Em nenhum dos dois episódios o tijolo foi o destino do medo. Em 2020, a disparada do IFIX/IBOV não foi compra de imóvel — foi artefato do denominador, um abrigo que apareceu na régua sem que mão alguma o tivesse buscado. Em 2021, com liberdade plena de escolha, o capital passou ao largo dele. A leitura ingênua — "o tijolo protege no pânico" — não se confirmou em nenhuma das duas travessias.

Veredito honesto

A razão IFIX/IBOV mede duas coisas ao mesmo tempo, e só uma delas é o tijolo. Quando o papel desaba, o abrigo aparece na conta sem que ninguém o tenha comprado. Em dois pânicos de naturezas distintas, o imóvel listado nunca foi o destino escolhido do medo: miragem da régua em 2020, coadjuvante em 2021. O número subiu; o abrigo, não.

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