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A febre de 2025 — quando a euforia desceu para encontrar a estrutura

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O extremo

Por quatro meses, a bolsa brasileira viveu uma cisão: um humor de mercado cravado no otimismo extremo enquanto a estrutura por baixo dela descrevia um mercado defensivo. Em junho/2025 a distância chegou ao auge — o humor a 92,3, quase invencível na superfície, sobre uma estrutura de intermercado em risk-off forte. Em julho a febre baixou. O humor de mercado recuou de 92,3 para 39,0, a maior contração de sentimento em meses, e o apetite por risco caiu de 76,4 para 17,5. A reconciliação veio por baixo: não foi a estrutura que subiu, foi a euforia que desceu para encontrá-la.

O que aconteceu depois

A calma não durou. Em agosto/2025 a euforia voltou tão rápido quanto recuara — o humor saltou de 39,0 para 72,3, e o tijolo afundou (IFIX/IBOV de z −0,42 para −2,12) contra o adversário silencioso de sempre: a Selic em 15,0%. Setembro repetiu o otimismo extremo (77,9), com o dinheiro girando para cíclicos. Outubro normalizou pelos dois lados — humor a 59,0, apetite a 68,5, ambos saindo de extremos opostos. Então dezembro/2025 alinhou tudo para baixo: o intermercado raspou o piso, em 8,87. E em maio/2026 a coreografia se inverteu — o humor desabou a 12,6, pessimismo extremo, enquanto a estrutura, por baixo, recompunha-se: o medo na superfície, a calma no alicerce.

O que não aconteceu

A narrativa simples — "a euforia cedeu, e o mercado normalizou" — não sobrevive ao arquivo. O humor não desinflou de vez: visitou o otimismo extremo de novo em agosto, setembro, novembro e janeiro/2026, recusando-se a desinflar por mais de um mês de cada vez. E a estrutura nunca melhorou para acompanhar a febre; quando os dois eixos enfim concordaram, em dezembro, foi para baixo, não para cima. Julho não marcou o fim do desencontro — apenas o primeiro de muitos.

Veredito honesto

Julho/2025 foi a queda de uma anomalia, não o início de um alívio. Quem lesse a contração como cura teria errado: a febre voltou meses seguidos, e a doença estrutural persistiu sob juro de 15%. Quando a febre baixa, é o termômetro que descansa — não necessariamente o doente.

Continue a história: Quando os três eixos concordaram na defesa (jul/2025) · A Selic a 15% e a euforia que cede · O que é o Índice Ânima →

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Personagens: Humor · Fluxo (apetite por risco) · Estrutura (intermercado) · Juros (Selic) · Dólar