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Setembro de 2015: o índice de risco respirou, os bancos não
Episódio
O extremo
"Convalescença" foi a palavra que o painel parecia sussurrar — e era a errada. O Índice de Risco Perene, que terminara agosto desmaiado no piso absoluto da escala, levantou-se para o terreno neutro, e os cíclicos, espancados havia meses, esboçaram a primeira recuperação relativa em muito tempo. Parecia o corpo reagindo. Mas há um instrumento na casa que mede a saúde do crédito doméstico — os bancos — e ele foi na direção oposta, afundando para um dos piores desvios da própria história. Quando o rosto cora e o pulso enfraquece, é no pulso que se confia.
Em números: o Risco Perene de 0,0 a 52,2; a razão Finanças/IBOV de −2,039 para −2,650, a maior deterioração do mês; o intermercado mal saiu do fundo (14,64 a 15,36, ainda aversão pronunciada); o dólar a R$ 3,9065 e a dívida em 63,65% do PIB.
O que aconteceu depois
A aversão não recuou — aprofundou-se. Três meses depois, em dezembro, o intermercado havia passado pelo fundo de novembro (12,19) antes de dar um salto improvável para 65,25, risk-on moderado. Mas os bancos seguiam sem assinar embaixo: Finanças/IBOV ainda em −1,82. Só em março/2016, seis meses adiante, eles voltaram à vida — de −1,65 a 0,18, quase dois desvios num único mês, enquanto o ânimo gritava comprar. E um ano depois, em setembro/2016, a história deu a volta: o Risco Perene colapsou de novo a zero, as convicções recuando em silêncio.
O que não aconteceu
O respiro de setembro não foi a cura. Os bancos estavam certos em desconfiar — mas quem os usasse como gatilho para fugir teria perdido o salto de dezembro. O fundo da escala interna tampouco era o fundo: novembro foi pior. A Selic não aliviou em momento algum (14,25% o ano inteiro), e quando os financeiros enfim se reabilitaram, não foi a economia que os validou — o regime brasileiro seguia defensivo (37,9), a dívida subindo a 66,3% do PIB.
Veredito honesto
O índice interno leu melhora; os bancos leram a verdade do mês. Ambos acertaram metade. O extremo de um único indicador — mesmo o mais perspicaz — marca o início de um processo, não a hora de uma virada. Setembro avisou que o alívio era frágil; não disse quando terminaria.
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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar
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