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O fundo que não era fundo: quando o extremo de agosto ainda tinha porão

Derivado

O extremo

Em agosto de 2015, o Índice de Risco Perene fechou em 0,0 — o fundo absoluto da escala. Vinha de 79,1 no mês anterior, ou seja, do apetite ao pavor numa única virada. A estrutura de intermercado encolheu de 21,3 para 14,6 e cruzou para a forma mais aguda de aversão. Era a leitura que costuma fazer o observador pensar: daqui não passa.

O que aconteceu depois

Passou. Setembro trouxe um alívio enganoso — o Risco Perene voltou do chão para 52,2, território neutro, e os cíclicos esboçaram recuperação. Mas era alívio de superfície: no mesmo mês os bancos afundavam ainda mais (Finanças/IBOV em -2,65) e o dólar rompia de novo as bordas, fechando a R$ 3,9065. E então novembro desmentiu o ensaio. O intermercado, que havia subido para perto de 20,6, despencou para 12,2 — abaixo de agosto. As commodities foram abandonadas com pressa (de -1,01 para -2,13 de desvio) e as Utilities subiram ao ponto mais alto da leitura, 2,64. Só em fevereiro/2016 o intermercado tornou a subir, para 22,4, e ainda assim sem sair do risk-off forte.

O que não aconteceu

A leitura de agosto não marcou o fundo. Quem comprou "o grito" naquele mês comprou cedo: três meses depois a estrutura estava pior, e o degelo verdadeiro só viria em 2016. Tocar o fundo da escala de um indicador não impede que o ciclo encontre um porão abaixo dele. O número-âncora descreve o estado de hoje; não promete que amanhã não pode ser mais frio.

Veredito honesto

O extremo de agosto acertou o diagnóstico — aversão de regime, não susto de um dia. Errou quem o tratou como fundo de preço. Tocar o fundo da escala não é o mesmo que tocar o fundo da queda; entre os dois, houve novembro.

Continue a história: Os três alarmes de agosto de 2015 · Crise de 2015 × o fundo de 2016 · O que é intermercado →

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Personagens: Fluxo (apetite por risco) · Estrutura (intermercado) · Anomalia estatística