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Setembro de 2021: o humor brasileiro despencou de 43,8 para 9,4 — e o capital correu para dentro de casa
◦ Escrito sob a metodologia v1 dos índices (vigente até 15/07/2026). A série atual é a v2 — leituras citadas podem diferir das exibidas hoje. Ver metodologia.
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O extremo
O humor doméstico não cedeu — ruiu. Em setembro de 2021, o sentimento do investidor brasileiro cruzou do terço inferior, onde já vinha abatido, direto para o fundo da régua: desânimo profundo, sem paralelo recente neste registro. Em números: o índice Ânima caiu de 43,8 para 9,4, o eixo de risco perene acompanhou de 21,8 para 13,1, e a grade de intermercado recuou de 44,8 para 37,47.
Mas o medo tinha geografia. Enquanto o ânimo desabava, duas razões setoriais saltaram juntas: as commodities precificadas em real passaram, contra o IBOV, de coadjuvantes a protagonistas num único mês, e as utilities cruzaram da parte de trás do pelotão para a dianteira. O pano de fundo: Selic em 6,25% ao ano, IPCA mensal de 1,16%, dólar a R$ 5,28. O capital não fugiu do país — fugiu para ativos reais e contratados, dentro da própria bolsa.
O que aconteceu depois
O abrigo defensivo seguiu se enchendo. Em dezembro de 2021, com a Selic já em 9,25% e o dólar a R$ 5,65, as utilities esticaram ainda mais a vantagem e os fundos imobiliários (IFIX/IBOV) acompanharam de perto — enquanto os bancos desertavam, cruzando de favorecidos a preteridos. Em março de 2022, com a Selic em 11,75%, as utilities atingiram o ponto mais alto de toda a grade setorial.
O refúgio cambial, esse, murchou. Com o real mais forte em meses (dólar a R$ 4,97 em março), as commodities em real devolveram quase toda a vantagem — aritmética de câmbio, não de convicção. Em setembro de 2022, com a Selic cravada em 13,75%, as utilities continuaram sendo "o refúgio que não soltou prêmio", ainda ampliando a dianteira.
O que não aconteceu
O pânico da Ânima em 9,4 não anteviu um tombo. Seis meses depois, a configuração de setembro/2021 maturou com retorno realizado de +7,1% — o mercado subiu apesar do desânimo extremo. E a fuga não foi para fora do país: foi para dentro, em utilities e ativos reais. Quem leu o índice de humor como gatilho de venda errou a direção.
Veredito honesto
Meio acerto: a geografia do medo estava certa — as utilities seguiram ganhando prêmio até março/2022 —, mas o desânimo recorde não previu queda; o índice subiu 7,1%. O próprio motor classificou setembro/2021 como leitura insuficiente.
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Personagens: Humor · Commodities · Juros (Selic)
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