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O punho que afrouxou sem abrir — fevereiro de 2016
Episódio
O extremo
Havia alívio no ar, mas não confiança. Depois do pior começo de ano que a série registrara, o mercado brasileiro pareceu finalmente respirar — o número melhorou nove pontos num único mês. E mesmo assim nada de fundamental trocou de lugar. O capital afrouxou o punho; não abriu a mão. É a distância entre o gelo que racha na superfície e o lago que segue congelado por baixo. Em números: o sistema de intermercado subiu de 13,07 para 22,43, deixando o fundo de janeiro mas permanecendo em risk-off forte; a razão Utilities/IBOV, que cravara 3,28 desvios em janeiro — o ponto mais alto de toda a série —, recuou para 2,27; o Índice de Risco Perene foi de 49,9 a 63,3, de volta ao neutro, com o dólar a R$ 3,97 e a Selic em 14,25% ao ano.
O que aconteceu depois
O degelo seguiu por mais dois meses — em abril a estrutura chegou a cruzar para terreno neutro. Então maio desfez. O intermercado recuou de 54,37 para 32,48, voltando ao risk-off moderado, e o capital trocou de abrigo dentro da bolsa: a razão IFIX/IBOV saltou de -1,39 para +0,65, mais de dois desvios num mês. Só em agosto/2016 a estrutura voltou firme ao neutro (45,8 a 50,14). A recuperação plena — preços de novo inclinados ao risco — esperaria o começo de 2017, quando a Selic enfim cedeu: fevereiro/2017 trouxe o intermercado em 50,75 e o juro já em 12,25%.
O que não aconteceu
O degelo não foi linha reta. Quem leu os nove pontos de fevereiro como o início da primavera teria se enganado: maio devolveu boa parte do avanço e o mercado recuou. A Selic não trouxe alívio por quase um ano — ficou cravada em 14,25% até começar a ceder só no fim de 2016. E os refúgios que fevereiro esvaziou não foram abandonados de vez: em maio as Utilities voltaram a reforçar a liderança.
Veredito honesto
A leitura acertou o estado, não o calendário. Distinguir um número que sobe de um regime que muda foi o acerto — fevereiro mexeu o ponteiro sem mexer a fase. Mas o degelo de superfície levou quase um ano para virar primavera, e recuou antes de avançar. O fundo de janeiro foi fundo; a recuperação que veio depois não foi reta.
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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar
Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.
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