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O prêmio da commodity que o dólar pagava

Episódio

O extremo

Parecia procura. A razão entre as commodities medidas em real e o Ibovespa estava esticada num extremo que, visto de longe, sugeria que o mundo havia voltado a disputar o minério e o petróleo brasileiros. Não havia voltado. O que estava caro era o dólar — e a commodity em real apenas o vestia. Quando a moeda fez uma pausa em outubro de 2015, o prêmio começou a desinflar. Em números: a razão Commodities (R$)/IBOV recuou de 2,60 para 1,94 de desvio enquanto o dólar cedia de R$ 3,9065 para R$ 3,8801, e o apetite doméstico saltava para 82,5.

O que aconteceu depois

O disfarce caiu por etapas. Em janeiro/2016, o dólar cruzou pela primeira vez a marca de quatro reais, fechando em R$ 4,0524, e as commodities medidas no índice afundaram para -2,16 de desvio — o oposto da força que o prêmio aparentava. Em abril veio a prova final: com o real reagindo a R$ 3,5658, as commodities em moeda nominal subiram com vigor, mas as mesmas commodities medidas em real recuaram a -0,89 de desvio. A diferença entre as duas leituras tinha nome, e o nome era câmbio. Só em outubro/2016, com o dólar em R$ 3,1858, as matérias-primas voltaram a liderar de fato a estrutura, cruzando para +1,13.

O que não aconteceu

O extremo de 2,60 não era apetite por commodity, e quem o leu assim errou de termômetro. Também não foi piso: a razão não parou em 1,94 — continuou descendo até virar negativa meses depois. E o alívio cambial de outubro não consolidou nada; o dólar voltou a romper as próprias bordas em janeiro antes de ceder de vez. O recuo do prêmio não anunciou recuperação da commodity. Anunciou apenas que a moeda tinha parado, por um mês, de piorar.

Veredito honesto

A commodity em real é um termômetro do câmbio fantasiado de matéria-prima. Em outubro de 2015 ele marcava febre — mas a febre era do real, não da demanda global. A leitura acertou ao tratar o extremo como anomalia a desinflar; errou quem confundiu o número alto com a força daquilo que o Brasil exporta.

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Personagens: Commodities · Dólar

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