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O meio de 2019 — quando o juro em queda virou as costas para o tijolo

Episódio

O extremo

O movimento mais agudo de junho de 2019 não foi a bolsa subindo. Foi o tijolo ficando para trás. Pela primeira vez na série recente, os dois termômetros domésticos da casa concordaram e apontaram para o risco — a convicção finalmente alcançou o fluxo em vez de resistir a ele. Mas, por baixo do acordo, o capital que se acendeu por ações brasileiras não foi para os fundos imobiliários: correu direto para a bolsa. Com a Selic ainda em 6,5% ao ano e juro real de pé, o tijolo perdeu o duelo relativo contra a promessa de ganho de capital. Em números: o índice de risco perene saltou de 56,3 para 87,7, cruzando para risk_on; o Ânima, de 45,0 para 62,3; e a razão IFIX/IBOV despencou para um z de −1,61 — mais de um desvio-padrão em trinta dias, o deslocamento isolado mais agudo do mês.

O que aconteceu depois

O acordo de junho não durou um trimestre. Em setembro/2019, os termômetros voltaram a discordar: o Ânima se recuperou para 42,0, mas o capital fez o caminho oposto e desabou de 47,6 para 20,6, cruzando para risk_off. O ânimo voltou; o dinheiro saiu da sala. Foi preciso o ano inteiro — e mais cortes da Selic, que chegou a 4,5% em dezembro — para os eixos se reconciliarem. E quando se reconciliaram, em dezembro/2019, foi no extremo: Ânima a 78,7, risco perene a 78,8, intermercado a 95,57. O tijolo abandonado em junho virou o protagonista. A razão IFIX/IBOV saltou de 0,83 para 2,80: com o caixa rendendo quase nada, o aluguel embutido nos fundos imobiliários passou a brilhar por comparação. Um ano depois, em junho/2020, o arquivo fechou a conta dessa euforia: veredito de ambiguidade, retorno de −16,6% em seis meses, fora da banda projetada.

O que não aconteceu

O −1,61 de junho não foi um veredito sobre o tijolo. Seis meses depois, o mesmo imobiliário que apanhava liderava a linha. A leitura mais aguda de um mês registra para onde o dinheiro vai naquele mês, não o que um ativo "é". Tampouco a concordância dos dois termômetros em junho foi um regime estável — dissolveu-se em setembro. E a reconciliação no topo, em dezembro, não entregou a alta que o número alto parecia prometer.

Veredito honesto

O juro em queda não teve uma só opinião sobre o tijolo. Mudou de ideia conforme caía: a 6,5%, empurrou o capital para fora do imobiliário; a 4,5%, empurrou de volta. O acerto da casa em junho foi anatômico, não direcional — descrever a anatomia da subida, não cravar para onde ela ia. Convicção e fluxo alinhados no extremo são, por definição, configurações de pouca margem.

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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar

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