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O juro no piso, o capital na adega — outubro de 2019

Episódio

O extremo

Raramente o convite foi tão barato e tão recusado ao mesmo tempo. O preço do dinheiro caiu ao menor patamar da série, o humor do investidor voltou ao centro depois do susto de agosto, e ainda assim o capital de convicção fez o contrário de comprar: encolheu até o ponto mais fundo do semestre. Tudo na vitrine convidava; a freguesia hesitava à porta. Em números: a Selic cortada para 5,0% ao ano, o IPCA do mês quase parado em 0,10%, o Índice Ânima de volta ao neutro (de 42,0 a 54,9) — e o índice de risco perene cedendo de 20,6 para 11,0, o mais baixo desde que a leitura começou no semestre. O dólar fechou a R$ 4,087.

O que aconteceu depois

O descompasso resolveu-se, e pelo lado otimista — o oposto do que o pessimismo do fluxo parecia anunciar. Nos dois meses seguintes o capital não só voltou como alcançou o humor: dezembro fechou 2019 com os três eixos da casa apontando juntos para cima, raridade na série — o Ânima em 78,7, o risco perene em 78,8, o intermercado disparado a 95,57. Quem parecia desconfiar, comprou. A convergência alegre, porém, não passou da primeira semana de janeiro/2020: os três recuaram de uma vez, o humor a 33,2, o fluxo a 42,6, o intermercado a 38,2. E em abril/2020 veio o fundo da pandemia — o Ânima cravado em pessimismo extremo a 16,0, o dólar a R$ 5,3256.

O que não aconteceu

O fluxo a 11,0 não era o começo de uma fuga. Quem leu o fundo do capital de convicção como "o dinheiro enxerga um risco que o humor ignora" errou o curto prazo: dois meses depois esse mesmo índice marcava 78,8. O juro no piso tampouco garantiu apetite duradouro — a euforia que ele ajudou a inflar em dezembro durou semanas. E o descompasso não morreu: reabriu um ano depois, invertido, com o intermercado em risk_on (67,0) e o humor preso no fundo (28,6) em outubro/2020.

Veredito honesto

O motor viu o descompasso, não a causa. Acertar que humor e capital divergiam não dizia qual dos dois tinha razão — e a leitura tentadora foi desmentida primeiro pelo otimismo de dezembro, depois reescrita por um motivo que nenhum indicador de outubro continha. Divergência é uma pergunta, não uma resposta.

Continue a história: A convergência pelo lado otimista · O rali às vésperas da tempestade · O ânimo voltou, mas o dinheiro saiu →

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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar · Juros (Selic)

Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.

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