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A convergência pelo lado otimista: maio/2012, os relógios batem juntos
Derivado
O extremo
Por três meses os dois termômetros da casa apontaram para lados opostos: a confiança doméstica insistindo no risco assumido, a estrutura de intermercado descendo escada abaixo. Maio/2012 encerrou o desacordo — e o encerrou pelo lado pessimista. O Índice de Risco Perene não recuou: despencou, de 78,5 para 18,8, cruzando enfim para aversão. Ao mesmo tempo, o dólar bateu R$ 1,99, com desvio estatístico de 3,07 — o real mais pressionado em meses.
O que aconteceu depois
A convergência se confirmou como virada, não como soluço. A leitura doméstica, que vinha teimando no campo do risco assumido desde 2011, capitulou para o lado em que a estrutura já estava há meses. Em novembro/2012, o quadro defensivo havia se consolidado: o dinheiro recolhia as fichas dos cíclicos e o apetite seguia firme em terreno de risco desligado (20,6), apesar de uma Selic no fundo do ciclo, a 7,25% ao ano. O otimismo que resistira por todo o segundo semestre de 2011 não voltou no semestre seguinte.
O que não aconteceu
O alívio aparente de maio enganava. Por dentro, a razão entre cíclicos e defensivos subiu — o que, lido sozinho, pareceria o retorno do apetite por cíclicos. Mas não era: foi o real afundando a R$ 1,99 que inflou o preço das commodities medidas em moeda local. O que parecia rotação para o risco era, em boa parte, efeito cambial. E a discórdia não se resolveu pelo lado da estrutura defensiva se recuperando — foi o otimismo que cedeu.
Veredito honesto
Quando dois relógios discordam por tempo demais, a convergência tende a vir pelo lado que tinha mais a perder. Em maio/2012, foi o otimismo doméstico que capitulou — não a estrutura cautelosa que se reconciliou com ele.
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Personagens: Fluxo (apetite por risco) · Dólar · Estrutura (intermercado)