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O humor esfriou; o apetite evaporou — agosto de 2023

Episódio

O extremo

Por três meses, o mercado brasileiro contou a si mesmo uma piada sem graça: a confiança subia enquanto a estrutura da bolsa se recusava a confirmá-la. Em agosto, a conta venceu — e não pela porta por onde se esperava. O humor apenas esfriou, educado, e parou no meio do caminho. O apetite por risco, esse, evaporou inteiro. O termômetro perdeu a febre; o alicerce é que se desfez. Em números: o Índice Ânima recuou de 84,4 para 58,1, de volta ao neutro; o Risco Perene, que entrara o mês em 85,4, fechou em 0,0 — regime risk_off cravado. Por baixo, o dinheiro deixou de pagar pelo otimismo e voltou ao que estava barato: a razão IFIX/IBOV, num dos pisos da série em julho, recuperou +1,50 desvio, e as commodities em reais devolveram +1,03.

O que aconteceu depois

O zero não durou. Em novembro/2023, três meses depois, o eixo de risco que desabara voltou de 8,0 a 67,1, reocupando o centro, e o humor foi além — o Ânima cruzou para o otimismo esticado, em 67,3. A euforia que agosto enterrara reapareceu, agora comprando cíclicos: a razão Cíclico/Não-Cíclico saltou de −0,95 para 0,45, enquanto o IFIX desabava contra o índice (z −2,48). O pêndulo não parou aí. Em fevereiro/2024 o prêmio defensivo, esticado a quase três desvios (Utilities/IBOV em z 2,93), começou a desinflar para 1,92. E em agosto/2024 a bolsa voltou a ser a mais defensiva do ano — Cíclico/Não-Cíclico no fundo de z −2,40, intermercado em risk_off forte, 28,6.

O que não aconteceu

O 0,0 de agosto parecia um fundo. Não era — não no sentido de uma queda que se aprofunda. Quem lesse o risk_off cravado como o início de um desabamento teria errado o rumo: três meses depois o apetite estava de volta ao centro e a confiança, esticada outra vez. A rotação defensiva que agosto estreou tampouco virou liderança duradoura: o prêmio que voltou a se recompor foi revendido meses adiante, e até agosto/2024 os cíclicos seguiam sendo os mais castigados. A Selic, por fim, não cedeu no susto — ficou em 13,25% ao ano enquanto o eixo de risco evaporava.

Veredito honesto

A leitura acertou o regime: a euforia sem lastro cobrou sua conta, e cobrou pela base, não pelo topo do humor. Mas o zero do Risco Perene não era uma direção; era um instante. O extremo de um eixo marca o fim de uma tensão acumulada, raramente o fim de um ciclo. O mercado que desmontou o prêmio em agosto voltou a montá-lo em novembro — e a desfazê-lo de novo depois.

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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar

Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.

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