Radar PereneRadar Perene
← início

Radar Perene / Artigos / episódio

A comemoração que os preços não assinaram — junho de 2023

Episódio

O extremo

Procure no fechamento de junho de 2023 o ponto em que algo rompeu, e não é o entusiasmo que chama atenção — é a distância que se abriu entre ele e todo o resto. O investidor doméstico cruzou para o otimismo extremo enquanto a estrutura de preços que justificaria a festa simplesmente não se montava. O Radar registrou o divórcio sem saber a favor de quem ele se resolveria. Em números: o Índice Ânima saltou de 46,5 a 69,2; no mesmo mês, a razão entre fundos imobiliários e o IBOV virou de +0,31 a −0,73 desvio-padrão (Δ −1,04, o maior recuo do tecido), as commodities em reais afundaram a −2,21, e o score de intermercado recuou de 52,4 a 49,8, de volta ao neutro. O humor comemorava; a arquitetura de preços, não.

O que aconteceu depois

A primeira resposta veio pelo lado desconfortável. Em setembro, três meses depois, o humor devolveu tudo — o Ânima caiu de 58,1 a 45,3 — e os preços não o socorreram: o intermercado endureceu para 41,9 e o capital correu para Utilities (de 0,64 a 1,38 contra o IBOV), o canto mais defensivo da bolsa. A euforia evaporou sem deixar herança. Só em dezembro a estrutura escolheu um lado: a razão cíclico/não-cíclico saltou de +0,45 a +1,17 e o risco doméstico cravou 89,7, risk-on pleno. Foi quando o veredito fechou — a configuração de junho maturou seis meses com retorno de +12,5%, classificado como acerto.

O que não aconteceu

O otimismo de 69,2 não era um topo a ser vendido — quem leu a euforia como sinal de exaustão teria errado o retorno de dois dígitos que veio depois. Mas tampouco era um novo patamar: doze meses adiante, em junho de 2024, o humor havia desabado para 22,3, o fundo da série. A festa não durou; o que durou foi aquilo que os preços acabaram comprando. E nada disso foi linha reta — setembro afundou antes de dezembro subir.

Veredito honesto

O sinal que importava nunca foi o humor, que se desfez em três meses. Era a estrutura, mais lenta e menos emocional — e ela levou um semestre, com um susto no meio, para assinar a comemoração que junho antecipou. Euforia sem confirmação de preços não é alarme nem aval: é uma pergunta que só o tempo responde.

Continue a história: Um ano de discordância — 2023 · Quando os termômetros discordam · A euforia no topo — março de 2014 →

O Radar lê esses regimes todos os dias. Veja a leitura de hoje →

Leia também: Um ano de discordância: quando o humor e a estrutura quase não concordaram · Quando os termômetros discordam: apetite alto, estrutura defensiva · A euforia no topo — março/2014, quando o apetite cravou 100 e não houve continuação

Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar

Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.

Ver a leitura de hojeConhecer a Edição Founder →