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A alta de um pilar só — novembro de 2016

Episódio

O extremo

A bolsa pagava caro pelo risco, e o investidor brasileiro estava deprimido. Os dois fatos conviviam no mesmo mês, e o atrito entre eles era a notícia. A estrutura de preços relativos cravava apetite forte — mas a firmeza vinha de um lugar só: a preferência por commodities frente ao IBOV, esticada ao extremo da série. Tire esse pilar, e a alta não se sustenta. Em números: o intermercado subiu de 68,66 para 77,09 (risk_on forte) enquanto o Índice Ânima desabava de 80,0 para 31,9; a razão Commodities/IBOV saltou de +1,13 para +3,30 de desvio, território raramente visitado. A Selic seguia em 14,0% ao ano e o dólar fechou em R$ 3,342.

O que aconteceu depois

O pilar cedeu primeiro, e sem estardalhaço. Em fevereiro/2017, três meses depois, a razão Commodities/IBOV recuou para +1,68 — o maior movimento do mês — e o intermercado escorregou de volta ao neutro (50,75). O capital não fugiu do risco; trocou de cômodo: os fundos imobiliários, penalizados, começaram a recuperar terreno à medida que a Selic caía. Em maio/2017, seis meses depois, a reprecificação virou bloco — cíclicos (de +2,43 para +0,80) e bancos devolveram prêmio ao mesmo tempo, e o índice de risco perene desabou de 49,4 para 7,5, cruzando para risk_off. Um ano depois, em novembro/2017, o enredo deu meia-volta: as financeiras desabaram em força relativa (de −0,17 para −1,87 de desvio) e as commodities recuperaram a liderança que haviam entregado.

O que não aconteceu

A alta estreita de novembro não foi um pico do qual tudo desabou. Quem leu o risk_on forte como convicção espalhada teria exagerado: o avanço repousava num único pilar, e quando ele cedeu, foi devagar, não em tombo. O humor afundado tampouco antecipou uma queda da bolsa — o que veio depois foi rotação, não colapso. E a divergência entre preço firme e humor deprimido não se resolveu rápido: levou meses para o sentimento sair do fundo, e quando saiu, em maio, foi a estrutura de preços que se fechou.

Veredito honesto

A leitura captou a tensão certa — uma alta concentrada sobre um subsolo defensivo — mas não cravou o desfecho. Uma firmeza apoiada num só pilar avisa que a alta é frágil, não que vai ruir já. O motor registrou o atrito; o tempo o resolveu sem pressa.

Continue a história: A confiança que o capital desconfia · O fundo de 2016 — estrutura antes do humor · O dólar como termômetro de regime →

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Leia também: Outubro de 2017: o humor cravou 69,2 enquanto a estrutura desabou para 8,2 · O fundo de 2016: a estrutura virou antes do humor — e muito antes dos juros · O dólar como termômetro de regime

Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar

Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.

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