Radar Perene / Artigos / episódio
O apetite sem endereço fixo — outubro de 2010 e a liderança que mudava de casa todo mês
Episódio
O extremo
O dinheiro brasileiro estava de bom humor, mas não conseguia ficar parado. Em três meses, trocou de protagonista três vezes — cíclicos em julho, bancos em setembro, e agora a matéria-prima. O apetite nunca saía de cena; apenas mudava de casa: comprava, esticava e ia embora. Em outubro, a nova morada eram as commodities precificadas em reais, empurradas ao ponto mais esticado de todo o ranking. Em números: a razão Commodities (R$)/IBOV saltou de 1,23 para 2,45, enquanto o eixo cíclico devolvia quase dois desvios (de 2,92 para 1,18). O Índice de Risco Perene subiu a 87,6, perto do topo; o dólar fechou a R$ 1,6835, o real mais forte da série.
O que aconteceu depois
A mudança de endereço se confirmou — por um tempo. Em janeiro/2011, as commodities consolidaram a liderança (Commodities/IBOV de 0,68 a 1,88), mas o termômetro do apetite, firme em 87,6 três meses antes, despencou para 2,8, encostando no piso da escala. Em abril, o capital já trocava de casa outra vez, agora para os fundos imobiliários (IFIX/IBOV de 0,30 a 2,85), atraído por renda contratada num juro de 12% ao ano. E em outubro/2011, a morada que outubro de 2010 inaugurara estava abandonada: a razão Commodities/IBOV afundou a -1,77, do topo do ranking ao pior posto em doze meses.
O que não aconteceu
A firmeza de outubro não durou. Quem leu o Risco Perene a 87,6 como apetite assentado se surpreenderia com o piso de janeiro. E a liderança das commodities não era um trono — era um quarto alugado. A mesma inquietação que as coroou as despejou um ano depois. A rotação tampouco parou na matéria-prima: o dinheiro seguiu trocando de bairro, sem nunca fixar residência.
Veredito honesto
A leitura acertou o regime — apetite amplo, liderança em trânsito —, mas erraria quem confundisse o inquilino do mês com o dono da casa. O humor era real; o endereço, provisório. Um apetite convicto compra e fica. Este comprava, esticava, realizava e mudava de bairro.
Continue a história: O dinheiro reentra pelos bancos · O fim do reinado das commodities · O começo de 2011 no aperto →
O Radar lê esses regimes todos os dias. Veja a leitura de hoje →
Leia também: O dinheiro reentra pelos bancos — e a porta se fecha num trimestre · O fim do reinado das commodities — dois desvios em um mês, e o trono nunca voltou · O extremo que mudou de endereço — as commodities de 2011
Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar
Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.
Ver a leitura de hojeConhecer a Edição Founder →