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O apetite escolhe a quem confiar — os +2,13 dos bancos em outubro de 2016

Episódio

O extremo

O apetite por risco voltou — mas não para todos. No fim de 2016, o dinheiro doméstico decidiu pagar mais caro pelo risco brasileiro, desde que viesse no rótulo certo: bancos e produtores de commodities receberam o prêmio; os fundos imobiliários, que rendiam como quase-renda-fixa com a Selic em 14,0% ao ano, foram descartados. E o termômetro estritamente quantitativo de risco se recusou a entrar na festa. Em números: o setor financeiro saltou de +0,64 para +2,13 de desvio, o maior movimento da estrutura; o ânimo doméstico subiu de 58,9 para 80,0, otimismo extremo; mas o Risco Perene mal deixou o chão, de 0,0 para 2,1, ainda em risk_off.

O que aconteceu depois

A confiança comprou a virada antes de a evidência assinar embaixo — e a evidência demorou a chegar. Em novembro, o humor recuou primeiro, desfazendo parte do entusiasmo. Só em janeiro/2017 os dois relógios bateram juntos: o Risco Perene saltou de 38,7 para 82,7, o ânimo reabriu para 71,5 e a liderança das commodities esticou para +2,13 de desvio, com a Selic já em 13,0% ao ano. A convicção de outubro, afinal, ganhou o aval do eixo que faltava.

O que não aconteceu

A harmonia não durou. O alinhamento de janeiro foi um intervalo, não um estado: em abril/2017 os relógios se separaram de novo, agora invertidos — o ânimo desabou para 23,0, pessimismo profundo, enquanto o capital se aprofundava no risco. A liderança dos bancos tampouco se eternizou; meses depois, Finanças/IBOV devolveria a dianteira que havia tomado. E o desprezo pelos fundos imobiliários não virou colapso — foi rotação relativa, não ruptura.

Veredito honesto

A leitura de que a convicção corria à frente da evidência estava certa quanto ao descompasso — havia mesmo um vão entre o humor a 80,0 e o risco a 2,1. Mas o vão se fechou pelo lado que poucos apostariam: foi o termômetro quantitativo que subiu para confirmar, não o otimismo que recuou. Comprar a virada antes da prova não foi erro; só não foi, em momento algum, certeza. Os dois relógios voltariam a discordar antes do fim de 2017.

Continue a história: O choque externo de novembro de 2016 · A confiança que o capital desconfia · A aposta única em bancos →

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Personagens: Anomalia estatística

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