Radar PereneRadar Perene
← início

Radar Perene / Artigos / episódio

O apetite que desabou sem um susto — setembro de 2014

Episódio

O extremo

Não houve estrondo. O apetite por risco doméstico não fugiu de uma manchete nem de um circuit breaker — simplesmente parou de acreditar. Em quatro semanas, o humor da casa despencou ao fundo da série, e a aposta única que sustentava a bolsa havia meses — quase todo o dinheiro empilhado nos bancos — se desfez sem que nada ocupasse o lugar. Foi menos uma realocação e mais uma desistência: ninguém sabia mais onde colocar o peso. Em números: o Índice de Risco Perene de 68,1 a 14,1, virando para aversão; a leitura de intermercado de 79,6 a 50,3; a razão Finanças/IBOV de z +3,29 a −0,13 — um recuo de 3,42 desvios, o maior da série de razões. Selic a 11,0% ao ano, dólar a R$ 2,3329.

O que aconteceu depois

O fundo não durou. Três meses depois, em dezembro/2014, o humor já estava de volta ao topo — Risco Perene em 90,4, apetite pleno — enquanto o que restava da aposta nos bancos se dissolvia de vez (Finanças/IBOV a z +0,02). A calma era de superfície. Em março/2015, seis meses adiante, o termômetro cedeu outra vez, de 62,1 para 55,2, e a estrutura de fluxos voltou à aversão moderada, com o dólar já em R$ 3,1395 e a dívida em 59,49% do PIB. E doze meses depois, em setembro/2015, o quadro havia desabado de vez: dólar a R$ 3,9065, dívida a 63,65%, Selic a 14,25%, intermercado cravado em aversão pronunciada. A desistência de 2014 fora o prólogo, não o desfecho.

O que não aconteceu

O apetite no chão não marcou um fundo de ciclo. Quem lesse 14,1 como exaustão vendedora teria se enganado duas vezes: o humor saltou para 90,4 em três meses, e ainda assim a crise verdadeira só chegaria um ano depois. O vazio aberto pela aposta abandonada tampouco se resolveu num novo líder — nenhum setor assumiu o peso. E o próprio motor, ao maturar o episódio em seis meses, classificou-o como Ambiguidade: retorno de −0,7% contra mediana de +8,2%, sobre apenas 7 casos comparáveis. Leitura insuficiente, admitida como tal.

Veredito honesto

Apetite no piso não é direção; às vezes é só confusão. O colapso que nasce da descrença, e não do susto, é o mais difícil de cronometrar — não avisa quando termina porque nunca chegou a começar de verdade.

Continue a história: A aposta única em bancos · O dólar como termômetro de regime · Os três alarmes de agosto de 2015 →

O Radar lê esses regimes todos os dias. Veja a leitura de hoje →

Leia também: A aposta única em bancos: quando a razão Finanças/IBOV chegou a +1,53 · O dólar como termômetro de regime · Os três alarmes de agosto de 2015 — e o fundo que não era fundo

Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar

Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.

Ver a leitura de hojeConhecer a Edição Founder →