Radar PereneRadar Perene
← início

Radar Perene / Artigos / episódio

O apetite devolve o favor aos esquecidos do balanço — jun/2014

Episódio

O extremo

O dinheiro doméstico voltou a comprar exatamente o que vinha rejeitando. Bancos e serviços públicos — os nomes deixados de fora do balanço da preferência por meses — foram readmitidos no mesmo mês, e essa readmissão foi o maior movimento que a estrutura interna registrou. Não foi euforia: foi um rodízio. O apetite mudou de endereço, não de tamanho. Em números: o Índice de Risco Perene subiu de 48,3 para 62,9, de volta ao terreno neutro; Finanças contra o índice amplo saltou de z −0,36 para +0,64 — uma unidade inteira em trinta dias, o maior deslocamento do mês; Utilities acompanhou, de −0,23 para +0,48; as matérias-primas em reais cederam para −0,47. Selic a 11,0% ao ano, dólar a R$ 2,2355.

O que aconteceu depois

A reabilitação ampla não permaneceu ampla. Nos meses seguintes, o favor que se espalhara entre bancos e utilities se estreitou num só endereço: até agosto, Finanças contra o índice escalou a z +3,29, uma concentração que o registro raramente tolera. Três meses depois do ponto de partida, em setembro/2014, a aposta evaporou — a razão recuou para −0,13 e o apetite despencou de 68,1 para 14,1, o fundo da série. Em dezembro a cena se repetiu em silêncio: a concentração voltou a +1,53 e dissolveu-se para +0,02, com o humor parado em 90,4. Um ano à frente, junho/2015 já corria sob outra paisagem — a dívida pública em 60,75% do PIB, a Selic em 13,75%, o capital esvaziando o refúgio dos serviços públicos (Utilities/IBOV de 1,31 a 0,18) sem comprar o ciclo.

O que não aconteceu

A contenção de junho — 62,9, não os 100,0 que março tocara e devolvera — pareceu prudência. Não foi proteção. A recuperação medida não se converteu em tendência durável: três meses depois, o apetite estava no chão. E a readmissão dos esquecidos não permaneceu plural. O favor devolvido a dois setores juntos virou aposta única num só — e aposta única é o oposto de diversificação, por mais que comece parecendo uma.

Veredito honesto

A leitura de neutralidade contida acertou o estado e errou o destino. Um apetite que volta não é um apetite que fica. O motor leu junho como reabilitação cautelosa, e estava certo sobre o mês; o que o número não dizia é que aquela cautela era o primeiro capítulo de uma concentração — e que a concentração já trazia, embutida, a forma de seu próprio fim.

Continue a história: A aposta única em bancos · A euforia no topo — março de 2014 · O dólar como termômetro de regime →

O Radar lê esses regimes todos os dias. Veja a leitura de hoje →

Leia também: A aposta única em bancos: quando a razão Finanças/IBOV chegou a +1,53 · A euforia no topo — março/2014, quando o apetite cravou 100 e não houve continuação · O dólar como termômetro de regime

Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar

Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.

Ver a leitura de hojeConhecer a Edição Founder →