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A crise europeia de 2011 chegou ao Brasil como discórdia, não como colapso
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O extremo
No segundo semestre de 2011, a crise da dívida europeia sacudiu o mundo. Mas, no Brasil, o Radar registrou algo curioso: o apetite por risco doméstico subiu a uma máxima recente, enquanto a estrutura de intermercado por baixo dele fazia o caminho inverso e corria para os ativos defensivos. Os dois termômetros da casa olhavam para direções opostas — e a discórdia, herdada de outubro, só se acentuou. Em números, novembro fechou com o Índice de Risco Perene em 86 e o intermercado em 23, no risco reduzido mais firme.
O que aconteceu depois
A divergência não se resolveu logo — durou meses. Em fevereiro/2012, o apetite doméstico ainda raspava o topo da escala (97) enquanto a estrutura seguia recuando (22,9), abandonando de novo a economia cíclica. Só em maio/2012 os dois termômetros enfim bateram juntos — e a direção foi para baixo: o apetite desabou para 18,8, cruzando para aversão, com o real sob a maior pressão em meses (R$ 1,99). Em novembro/2012, o dinheiro já recolhia as fichas dos cíclicos, com o apetite firme em terreno de risco desligado.
O que não aconteceu
A leitura otimista do apetite doméstico não protegeu o mercado do que veio. Quem lesse o número alto de 2011 como "o Brasil está imune ao que se passa na Europa" teria sido desmentido — só que devagar, ao longo de seis a nove meses, não num único susto. E a convergência veio pelo lado errado: foi o otimismo que cedeu, não a estrutura defensiva que se recuperou.
Veredito honesto
A crise europeia não atravessou a fronteira como um colapso; atravessou como uma discórdia que demorou a se resolver. E quando dois termômetros discordam por tempo demais, costuma ceder o mais otimista.
Continue a história: Quando os termômetros discordam · A convergência pelo lado otimista · O que é a leitura de intermercado →
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Personagens: Fluxo (apetite por risco) · Estrutura (intermercado) · Dólar · Cíclicos × defensivos