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COVID × agosto de 2015: o mesmo diagnóstico, anatomias opostas

Comparativo

O que rima

Agosto de 2015 e março de 2020 são os dois maiores sustos do arquivo recente. Em ambos, o apetite por risco doméstico tocou o fundo da escala e o humor do investidor afundou ao pessimismo extremo. O diagnóstico do Radar foi quase idêntico: aversão declarada, medo precificado.

O que difere

A origem e o desfecho foram opostos. 2015 nasceu de dentro — crise fiscal, dívida e câmbio rompendo bordas ao mesmo tempo —, com a Selic cravada em 14,25% e uma saída lenta: o fundo de agosto não foi o fundo, e a estrutura só normalizou um ano depois. 2020 veio de fora — um choque pandêmico —, com a Selic a caminho do mínimo (2,0%) e o capital refazendo o caminho em três meses. Um foi maratona; o outro, um susto agudo.

O que não aconteceu

Nenhum dos dois foi um V limpo. Em 2015, quem comprou o fundo de agosto viu novembro piorar. Em 2020, quem leu a recuperação do apetite como "tudo normalizou" viu o humor demorar oito meses e o câmbio nunca voltar. Pânicos parecidos na superfície resolveram-se de formas que pouco se pareciam.

Veredito honesto

O mesmo diagnóstico não implica o mesmo prognóstico. A aversão extrema diz onde estamos; não diz, sozinha, quanto tempo levará para sair — nem por qual caminho.

Continue a história: Os três alarmes de agosto de 2015 · O que aconteceu depois que o medo precificou tudo · O que é o Índice de Risco Perene →

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Personagens: Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar · Juros (Selic)