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A dívida a três desvios da média — o alarme silencioso de agosto de 2015

Artigo

O extremo

Há séries que oscilam tanto que um desvio grande quase não surpreende. A dívida pública sobre o PIB não é uma delas. Ela anda devagar, mês a mês, e raramente salta. Por isso, quando o endividamento público marcou um desvio de 3,01 frente à própria história, o sinal pesou mais do que o número sugere. Num indicador que mede estoque, e não humor, três desvios não é um susto de mercado — é uma fratura que vinha se acumulando ficando visível de uma vez. Em números: a dívida pública em 62,97% do PIB, leitura de 3,01 — um dos maiores afastamentos já registrados na série.

O que aconteceu depois

A diferença entre esse alarme e os outros do mesmo mês é o tempo. No câmbio, que marcou desvio parecido (3,16), o número pode reverter em semanas. Um estoque de endividamento, não: sobe por acúmulo e só cede por acúmulo. O pano de fundo não ajudava a desfazê-lo — a economia combinava recessão com inflação resistente, e a Selic cravada em 14,25% ao ano não ancorava nem o câmbio nem a confiança fiscal. Um juro alto no limite, e o paciente sem responder.

O que não aconteceu

A dívida a três desvios não era, sozinha, uma profecia de colapso. Um z alto mede raridade, não destino. E não foi um número isolado: no mesmo mês, o câmbio (3,16) e um indicador de tensão fiscal (3,06) também romperam a banda. Um desvio solitário pode ser ruído; três séries independentes acima de 3,0 ao mesmo tempo é regime. Mas a dívida em si não "explodiu" naquele agosto — apenas tornou legível, em um dígito, o que já se escrevia havia meses.

Veredito honesto

Três desvios numa série lenta dizem mais do que três desvios numa série volátil: não é susto, é estrutura. A dívida em 62,97% do PIB não anunciou o que viria — registrou o que já era.

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