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A inflação foi a anomalia. Meses depois, a deflação também.
Artigo
O extremo
Por algumas semanas, a única conversa foi a do preço que não obedecia. Cada ida ao mercado parecia confirmar que a inflação tinha voltado a escapar, e os medidores oficiais só ratificavam o que a rua já sentia. Um deles cravou a leitura mais alta em muito tempo — um desvio que a própria série mal reconhecia. Em números: em fevereiro de 2025, o IPCA mensal marcou 1,31%, com z de 4,9 entre as anomalias do período, sob Selic de 13,25% ao ano e o dólar a R$ 5,77.
O que rima
Quatro meses depois, a régua apontava para o lado contrário. No ano da euforia sob o juro de 15, com a Selic já em 15,0% ao ano e o dólar recuado a R$ 5,55, um índice de preços não apenas parou de subir — desabou. O IGP-M de junho veio a −1,67%: uma deflação que a estatística marcou como anomalia de magnitude comparável à da inflação de fevereiro, agora com o sinal trocado, em z −4,09. Poucos meses separaram o topo de um medidor do fundo de outro.
O que não aconteceu
A leitura fácil é a de um país que trocou a inflação pela deflação em poucos meses. Não foi isso. No mesmo junho em que o IGP-M furava o chão, o IPCA — a régua do consumidor — seguia acima de zero, em 0,24%. Nunca houve um único ponteiro girando do vermelho ao azul, e sim dois instrumentos distintos apontando para lados opostos: o IGP-M carrega o atacado e o câmbio; o IPCA, o preço que chega à ponta. O que parecia uma virada da economia era uma divergência entre réguas.
Veredito honesto
A régua de preços treme mais do que a narrativa que se conta sobre ela. "Inflação alta" e "inflação baixa" evocam um fenômeno lento, de meses arrastados; de perto, os índices saltam entre extremos de sinal contrário dentro de um mesmo semestre — e nem sempre concordam entre si no mesmo mês. Fevereiro gravou um dos maiores desvios de alta da série; junho, um dos maiores de baixa. A inflação e a deflação não são estações que se sucedem: são leituras de instrumentos que tremem mais do que o país inteiro.
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Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.
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