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2022 × 2015: duas contrações domésticas lentas
Comparativo
O que rima
O fim de 2022 e o ano de 2015 foram, no arquivo do Radar, dois mercados que se contraíram por dentro de casa — não por um susto vindo de fora. Em dezembro de 2022, a estrutura inteira encolheu sobre si mesma: o intermercado terminou o mês praticamente zerado, no fundo da escala (de 39,8 a 0,17), o humor recuou para 30,4 e o capital abandonou o ciclo pela defesa. 2015 teve o mesmo formato — uma tensão doméstica, então de natureza fiscal, que foi apertando a estrutura ao longo do ano. Em ambos, a origem do estresse era interna, e o medo se instalou devagar.
O que difere
A causa nomeada e o calendário do alívio. 2022 fechou um ano eleitoral, com a Selic cravada em 13,75% impondo custo de oportunidade alto a qualquer ativo de risco; 2015 girou em torno do desarranjo fiscal. Mas o que mais separa as duas não é o motivo — é que ambas exigiram cerca de um ano para sair, e saíram por caminhos próprios, cheios de desencontros entre humor e preços. Uma contração doméstica não tem a data de validade curta de um pânico externo.
O que não aconteceu
Nem uma nem outra se resolveu como a foto do fundo sugeria. A escuridão de dezembro de 2022 não disparou repique imediato: foi a montagem de uma virada que só se completaria doze meses depois, depois de um 2023 inteiro de discordância. 2015 também não virou no estalo do alarme. Quem lesse qualquer dos dois fundos como "já passou" teria atravessado meses de defesa, recuos e falsas largadas — porque a contração era o cenário, não o instante da virada.
Veredito honesto
Tanto 2022 quanto 2015 mostram um padrão diferente do susto agudo: o medo de origem doméstica entra devagar e leva cerca de um ano para sair. Há medos que chegam de fora e passam; outros nascem em casa e levam um ano para sair.
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Personagens: Estrutura (intermercado) · Humor · Cíclicos × defensivos · Juros (Selic)