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Como submeter um artigo a um periódico de economia no Brasil
◦ Metodologia v2.2 dos índices (working papers com DOI). Ver metodologia.
Ciência
O manuscrito pronto parece um fim de linha. Meses de dados, testes, tabelas, versões — e enfim um PDF que se sustenta. Quem nunca passou pelo processo imagina que o passo seguinte é um e-mail e uma espera. Na prática, o PDF pronto marca a metade do caminho: submeter um artigo a um periódico de economia é um processo com etapas próprias, regras próprias e um vocabulário que ninguém explica de antemão.
Submeter um artigo é entregar um manuscrito inédito à avaliação formal de um periódico, que decide — primeiro pela triagem editorial, depois pela revisão por pares — se o trabalho será publicado. O autor não escolhe os avaliadores, não conhece a identidade deles na maioria dos casos, e se compromete a não oferecer o mesmo texto a outra revista enquanto a avaliação corre.
Antes de submeter: a escolha do periódico
A decisão mais consequente acontece antes de qualquer formulário. Periódicos têm escopo — uma revista de macroeconomia dificilmente avalia um artigo de microestrutura de mercado, por melhor que seja — e têm régua de prestígio, que no Brasil convive em dois sistemas que não se traduzem entre si: a classificação Qualis, usada pelo sistema de pós-graduação, e o fator de impacto internacional. Ler os últimos números da revista candidata diz mais que qualquer ranking: mostra o tipo de pergunta, o tamanho típico dos artigos e o padrão de método que aquele corpo editorial considera publicável.
Há ainda uma verificação que pouca gente faz e que evita meses perdidos: a política de preprints. A maioria dos periódicos sérios aceita que o manuscrito tenha circulado antes como working paper — é o fluxo normal da economia há décadas —, mas as regras variam no detalhe, e a página de instruções aos autores é o único lugar onde a resposta vale.
A mecânica: plataformas, formato, anonimização
A submissão em si acontece em plataformas eletrônicas — as mais comuns no Brasil são o OJS, sistema aberto que muitas revistas universitárias usam, e sistemas comerciais como o ScholarOne. O formulário pede metadados (título, resumo, códigos de classificação JEL), os arquivos e, com frequência crescente, declarações: de originalidade, de conflito de interesse, de conformidade ética.
O formato é onde manuscritos tropeçam cedo. Cada revista publica suas normas — extensão máxima, padrão de citação, idioma do resumo — e a triagem editorial devolve sem ler o mérito o texto que as ignora. Quando a revisão é duplo-cega, soma-se a anonimização: o corpo do texto não pode conter o nome dos autores, agradecimentos que os identifiquem, nem autocitações reveladoras ("como mostramos em nosso estudo anterior"). Preparar a versão cega é um pequeno ofício em si.
O que acontece depois do envio
A primeira decisão é a triagem do editor — o chamado desk review. O editor pode recusar sem enviar a avaliadores (o desk reject, que costuma chegar em semanas) ou encaminhar o texto a dois ou três pareceristas. A partir daí o relógio muda de escala: no sistema brasileiro, uma rodada de pareceres leva tipicamente alguns meses, e o desfecho raramente é um sim ou um não secos. O resultado mais comum de uma avaliação bem-sucedida é o "revisar e reenviar" — uma lista de objeções que o autor precisa responder ponto a ponto, às vezes por mais de uma rodada, antes do aceite.
Dois números ajudam a calibrar a expectativa, e são do sistema, não de nenhum caso particular. Em números: taxas de rejeição acima de 80% são comuns em periódicos de economia bem avaliados, e o intervalo entre a submissão e a decisão final, somadas as rodadas, atravessa com frequência um ano inteiro. Nada disso mede a qualidade de um artigo específico — mede a razão entre manuscritos e páginas disponíveis.
O degrau anterior, que esta casa conhece por dentro
Este artigo descreve o processo em termos gerais por uma razão de método: avaliações em curso não são assunto público — de ninguém. O que a casa pode mostrar, porque é público e verificável, é o degrau que antecede qualquer submissão: a série de working papers do Radar Perene, publicada no Zenodo com DOI (o primeiro da série está em 10.5281/zenodo.21325743). É nesse degrau que um estudo ganha data, identificador e leitores antes de enfrentar avaliadores — e é também onde as escolhas descritas acima (escopo, formato, política de preprint) deixam de ser abstratas e viram decisões com consequência.
O que a submissão não é
Não é um vestibular com gabarito: dois pareceristas competentes podem discordar do mesmo texto. Não é um julgamento moral: a recusa é o desfecho estatisticamente normal, não uma sentença sobre o autor. E não é o único caminho para um estudo existir — working papers com DOI circulam, são citados e envelhecem em público, com a revisão por pares vindo depois, quando vem.
Perguntas frequentes
Pode-se submeter o mesmo artigo a duas revistas ao mesmo tempo?
Não. A submissão simultânea viola a regra de exclusividade de praticamente todos os periódicos e, descoberta, encerra a avaliação nas duas casas.
Publicar antes como working paper atrapalha a submissão?
Na maioria dos periódicos de economia, não — o working paper é etapa esperada do fluxo. A política específica de cada revista, porém, é a única fonte que decide.
Submeter custa dinheiro?
Depende da revista. Muitos periódicos brasileiros não cobram; outros cobram taxa de submissão ou de publicação. A informação consta sempre das instruções aos autores.
Quanto tempo demora uma decisão?
O desk reject chega em semanas; uma avaliação completa, com pareceres e rodadas de revisão, costuma se medir em muitos meses. Os prazos variam por revista e constam, quando publicados, nas estatísticas editoriais de cada uma.
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Entender onde um estudo específico se encaixaria nesse circuito é conversa de bastidor — e a casa a tem, quando procurada.
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Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.