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A renda fixa disfarçada perde a graça — ago. 2013, a Selic a 9%
◦ Escrito sob a metodologia v1 dos índices (vigente até 15/07/2026). A série atual é a v2 — leituras citadas podem diferir das exibidas hoje. Ver metodologia.
Episódio
O extremo
Há ativos listados na bolsa que não são, no fundo, bolsa. Fundos imobiliários e concessionárias de energia pagam um fluxo previsível e se comportam mais como título de renda do que como aposta em crescimento — valem ouro quando o juro está no chão, perdem o disfarce quando ele sobe. Naquele mês a Selic cruzou de 8% para 9% ao ano, e o disfarce caiu: o dinheiro abandonou os dois proxies de dividendo ao mesmo tempo, e correu de volta para a matéria-prima. Em números: os fundos imobiliários despencaram do meio do pelotão para bem atrás na força relativa, as concessionárias afundaram ainda mais fundo, enquanto as commodities assumiam a dianteira. O intermercado saltou de 46,57 para 67,82.
O que aconteceu depois
O juro não parou de subir — 10% em novembro, 10,75% em fevereiro, 11% no agosto seguinte —, e a punição aos proxies de renda não seguiu linha reta. Em novembro/2013 o IFIX continuava na cauda, mas as concessionárias já tinham voltado ao lado positivo da força relativa: o bloco se partiu. Em fevereiro/2014 os fundos imobiliários recuperaram quase todo o terreno perdido de uma vez, de trás do pelotão para perto do centro da força relativa — o retorno dos parentes pobres, barato demais para continuar onde estava. Um ano depois, em agosto/2014, o apetite voltou com força (Risco Perene de 23,7 a 68,1), mas escolheu os bancos — esticados na força relativa a um ponto que o arquivo quase nunca registra — e afundou o tijolo de novo, bem para trás do pelotão.
O que não aconteceu
A leitura tratou IFIX e Utilities como uma coisa só — renda fixa disfarçada — e não eram. Em três meses os caminhos se separaram: as concessionárias voltaram à tona enquanto o tijolo seguia no porão. Tampouco foi fuga: o Índice de Risco Perene mal se moveu, de 62,4 para 62,2, firme no neutro. O capital trocou de cadeira dentro da mesma sala. E a punição não foi definitiva — o IFIX que afundou em agosto ressurgiu em fevereiro antes de afundar outra vez. O fundo de um indicador não era o fundo da história.
Veredito honesto
O mecanismo estava certo: juro em alta encarece o dinheiro e tira o brilho do dividendo previsível. O erro foi de homogeneidade — supor que dois proxies de renda andariam juntos quando o que os unia era o rótulo, não o destino. O próprio motor foi modesto a respeito: maturada em seis meses, a leitura de agosto/2013 rendeu -10,8% e foi classificada como insuficiente, base de apenas cinco episódios comparáveis. Nomear o mecanismo é fácil; cronometrá-lo, não.
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Personagens: Juros (Selic)
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