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Quando o susto só encarece o dinheiro: o taper que virou Selic, não crise
Derivado
O extremo
Em setembro/2013, com os emergentes em estresse e o real pressionado pela sinalização do Federal Reserve, a pergunta natural era onde o choque cobraria seu preço. A resposta do arquivo é incomum: o preço foi o custo do dinheiro, não a quebra do mercado. O Banco Central conduzia um ciclo de aperto para defender a moeda, e a Selic meta já estava em 9,0% ao ano — três pontos acima dos 8,0% de junho. O real seguia firme na faixa pressionada do ano, a R$ 2,27.
O que aconteceu depois
O aperto prosseguiu, e foi onde o choque externo realmente apareceu. A Selic meta subiu para 10,0% ao ano em dezembro/2013 e alcançou 10,75% em março/2014. O juro mais alto remunerava melhor quem segurava o real e encarecia carregar posição em risco — exatamente o efeito que um banco central busca ao defender a moeda. Enquanto o custo do dinheiro subia degrau a degrau, o apetite doméstico fazia o caminho inverso: terminou março/2014 no topo absoluto da série, em 100.
O que não aconteceu
O juro subiu sem que o regime de risco virasse. Quem associasse aperto monetário a aversão automática teria errado a leitura — em 2013 e início de 2014, a Selic em alta conviveu com um Índice de Risco Perene que não só se manteve como, meses depois, cravou o topo. Não houve recessão de mercado, não houve fuga de risco, não houve a crise que o estresse externo parecia anunciar.
Veredito honesto
O motor mostrou que o canal pelo qual o taper chegou ao Brasil foi a política monetária, não o pânico de mercado. Às vezes o preço do choque externo é só o juro mais alto, e o regime de risco nem toma conhecimento.
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