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Os defensivos perdem seus inquilinos — e os recuperam em três meses

Episódio

O extremo

O abrigo esvaziou quase de uma vez. Por meses, o dinheiro doméstico se acomodara nos defensivos — concessionárias de energia, fundos imobiliários, papéis que pagam dividendo previsível e não dependem do humor da economia. Num único mês, o investidor trocou o que protege pelo que prospera e correu para os cíclicos. Os dois pilares da defesa afrouxaram juntos, no mesmo gesto. Em números: a razão Cíclico/Não-Cíclico saltou de z -0,19 para 1,17 — um deslocamento de 1,36 desvio, o maior movimento da estrutura —, enquanto Utilities/IBOV recuou de 2,35 para 1,33 e o IFIX cedeu de 1,76 para 1,10 frente ao Ibovespa. Selic no piso histórico de 7,5% ao ano, dólar a R$ 2,03.

O que aconteceu depois

A saída durou pouco. Três meses depois, em novembro/2012, o gesto se inverteu por completo: a razão Cíclico/Não-Cíclico desabou de 0,38 para -1,39, um recuo de 1,78 desvio, ainda mais brusco que a corrida de agosto. O dinheiro recolheu as fichas dos cíclicos e voltou ao abrigo, com o Índice de Risco Perene cruzando para risk_off, de 38,8 para 20,6. Em fevereiro/2013, os defensivos seguiam reocupados — Utilities/IBOV subiu de novo, de -0,14 para 0,89, num mês em que o investidor concentrou quase tudo no setor financeiro (Finanças/IBOV a 2,52, leitura raríssima). Os inquilinos tinham voltado.

O que não aconteceu

O esvaziamento de agosto não foi o fim dos defensivos. Quem leu a fuga do abrigo como virada de regime errou o tempo: em três meses os mesmos setores estavam cheios outra vez. E o juro no piso não os despejou — pelo contrário, foi a Selic baixa que os manteve atraentes sempre que o apetite recuava. A mudança de verdade veio um ano depois, e pela razão oposta: em agosto/2013, com a Selic de volta a 9,0% ao ano, IFIX/IBOV despencou para -1,70 e Utilities/IBOV para -2,13. O abrigo só esvaziou para valer quando o juro subiu — não quando caiu.

Veredito honesto

A leitura de agosto/2012 capturou a rotação real, mas não a sua durabilidade. Um deslocamento de 1,36 desvio num mês marca um movimento, não um regime. O que despeja o inquilino de um defensivo não é o apetite passageiro por risco; é o custo do dinheiro encarecendo — e esse só apareceu doze meses mais tarde.

Continue a história: O dinheiro recolhe as fichas dos cíclicos · A aposta que cabe num só setor · A renda fixa disfarçada perde a graça →

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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar

Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.

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