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O respiro de dentro que a estrutura não avalizou — jul/2022

Episódio

O extremo

A bolsa tomou fôlego e se fechou no mesmo mês. O investidor doméstico, que havia mergulhado ao fundo da série em junho, voltou a respirar — e foi justamente nesse intervalo que os preços relativos cruzaram para a defesa e o ativo que servira de abrigo perdeu o posto. Era o tipo de configuração que não se resolve: o de dentro aliviava, o de fora endurecia. Em números: o eixo de risco doméstico subiu de 8,4 a 47,1, de volta ao neutro; a leitura de intermercado cedeu de 49,77 para 43,37, em risk-off moderado; e a vantagem das commodities sobre o Ibovespa desabou de um z de 2,21 para 0,71 — em moeda forte, de −0,02 para −1,35. O dólar fechou a R$ 5,37 e o risco global marcava 32,5, aversão lá fora enquanto o ânimo local apenas voltava ao chão firme.

O que aconteceu depois

O descompasso não se fechou — mudou de forma. Em outubro/2022, três meses depois, o ânimo já não respirava: disparava. O índice Ânima saltou a 75,0, otimismo extremo, enquanto a grade de intermercado recuava ainda mais, a 36,48. A discordância entre o que se sentia e o que se alocava ficou maior, não menor. Só em janeiro/2023 a estrutura enfim alcançou o humor: o intermercado saltou de 0,17 a 66,15 num único mês, com os cíclicos tomando a dianteira. A reconciliação, porém, foi breve — em julho/2023 o Ânima cravava 84,4 e os blocos que validariam a euforia, fundos imobiliários e bancos, recuavam outra vez.

O que não aconteceu

O respiro de julho não anunciou a virada. Quem leu a recuperação do humor como sinal de que a estrutura logo confirmaria teria esperado em vão: a grade de intermercado endureceu por mais três meses antes de ceder terreno ao apetite. E a reconciliação, quando veio em janeiro, não foi triunfo do humor — foi a estrutura saltando por conta própria, puxada pelos cíclicos. O abrigo que caiu, as commodities, também não voltou: em reais, seguiu afundando, a −1,33 em outubro e a −2,68 em julho/2023.

Veredito honesto

A leitura acertou a tensão e errou o desfecho. Um humor que sai do fundo da série diz que o medo agudo passou, não que a confiança chegou. Quando o de dentro e o de fora discordam, o mês fica em aberto — e este ficou aberto por meio ano. O descompasso, não a recuperação, foi o que se provou duradouro.

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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar

Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.

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