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O otimismo que liderou pelo abrigo — jan/2019

Episódio

O extremo

O termômetro do humor marcava festa. O dinheiro vestia colete. Foi essa a contradição que abriu o ano: o otimismo doméstico mais que dobrou num único mês, atravessando o neutro inteiro até o topo da escala, enquanto a liderança dos preços relativos coube ao setor que o capital procura justamente quando quer se proteger — as concessionárias de energia e saneamento. A festa tinha porteiro. Em números: o Índice Ânima saltou de 39,9 a 87,6, do neutro ao otimismo extremo; a razão Utilities/IBOV avançou de z 0,67 para 2,57, o maior movimento da estrutura; e o índice de risco perene deixou o teto pela primeira vez em meses, recuando de 100,0 para 91,5.

O que aconteceu depois

A cautela que as utilities sinalizavam acabou tendo razão — só não no calendário. O entusiasmo de janeiro não sobreviveu ao trimestre: em abril, o capital de risco voltava de um fundo, havia descido a 25,6 e mal se recompunha a 37,6, com o cruzamento entre classes de ativos já em risk_off moderado (44,9). Junho devolveu o apetite por um mês, mas julho o esfriou de novo — o risco perene recuou de 87,7 para 54,3, e as utilities voltaram a ser o único bloco a ganhar altura (de 1,31 para 1,71), enquanto os bancos perdiam quase toda a vantagem relativa (Finanças/IBOV de 1,05 a 0,16). O alinhamento pleno só veio em dezembro — e não passou da primeira semana: janeiro de 2020 derrubou o humor de 78,7 a 33,2.

O que não aconteceu

A euforia de janeiro não inaugurou um risk_on sustentado. O Ânima cravou otimismo extremo, mas não arrastou o posicionamento atrás de si — o índice de risco perene recuou do teto no mesmo mês, e o regime brasileiro fechou em risk_on apenas modesto (56,0). A liderança defensiva tampouco foi capricho de trinta dias: as utilities voltaram a comandar em julho. Quem leu o salto do humor como sinal de risco confundiu o termômetro com o corpo.

Veredito honesto

O Radar apontou a contradição certa — humor quente, composição cautelosa — mas não soube cronometrá-la. A informação estava na composição, não no termômetro: o dinheiro escolheu abrigo no auge do otimismo, e levou um ano inteiro, mais a virada de janeiro de 2020, para dar razão a essa escolha. Quando os dois discordam, vale ouvir a composição — sem esperar que ela resolva depressa.

Continue a história: O ânimo voltou, mas o dinheiro saiu · O rali às vésperas da tempestade · O prêmio do refúgio: Utilities/IBOV →

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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar

Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.

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