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O otimismo que aplaudiu sozinho — o salto de 29 pontos de outubro de 2013

Episódio

O extremo

O dinheiro brasileiro resolveu comemorar — e comemorou sozinho. Depois de meses hospedado nos cômodos defensivos da bolsa, o capital doméstico voltou ao risco de uma vez, e o apetite deu o maior salto de toda a sequência recente. Lá fora, porém, ninguém aplaudiu junto: o eixo global permaneceu parado no neutro. Em números: o Índice de Risco Perene saiu de 55,0 para 84,0, cruzando para risk_on, enquanto o risco global mal se mexeu, em 53,0. Por dentro, os cíclicos retomaram a dianteira dos defensivos (Cíclico/Não-Cíclico de z −0,96 a 0,21) e os bancos passaram à frente do índice amplo (Finanças/IBOV de z −0,24 a 0,65), com o dólar em trégua a R$ 2,19.

O que aconteceu depois

O aplauso não atravessou o verão. Em janeiro de 2014, três meses depois, o mesmo apetite que subira a 84 desabou para 24,1 e cruzou para risk_off — a virada de humor mais nítida do registro recente. O abrigo defensivo, que outubro havia esvaziado, não foi reocupado por otimismo: foi reocupado por retração, com as concessionárias devolvendo toda a dianteira e os bancos afundando (Finanças/IBOV a z −0,96). O ano seguiria nessa gangorra. Em outubro de 2014, o apetite faria o caminho inverso, de 14,1 a 92,9 em dois meses — amplitude que diz mais sobre a violência das viradas do que sobre a convicção de qualquer uma delas.

O que não aconteceu

O salto de outubro não anunciou um ciclo de alta. Quem leu o maior avanço do apetite como confirmação de tendência teria comprado o topo de um repique caseiro. O entusiasmo não contagiou o mundo — o eixo global ficou no neutro o tempo todo —, e sem eco externo o impulso se esvaziou antes de virar estrutura. A própria leitura de intermercado já avisava: subiu pouco, de 58,59 para 62,17, uma confirmação morna para um humor que cantava em alto e bom som.

Veredito honesto

Seis meses depois, o próprio motor classificou esta leitura como insuficiente. O retorno realizado foi de −0,4%, sobre uma base de apenas cinco episódios comparáveis e sem o eixo Ânima, indisponível antes de 2016. O registro é honesto: o apetite acertou a direção do dia, não a do ciclo. Um humor que aplaude sozinho raramente sustenta o palco — e a estatística, quando é rasa, não autoriza convicção nenhuma.

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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar · Cíclicos × defensivos

Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.

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