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O despertar que deixou as commodities para trás

Episódio

O extremo

Por meses o investidor doméstico ficou preso no fundo, sem reagir. Quando finalmente acordou, fez algo curioso: partiu sem as matérias-primas. O dinheiro voltou para a bolsa local e deixou o complexo exportador no cais. Em números: o Índice Ânima saltou de 20,6 para 46,5, o maior despertar de humor do ano, enquanto a razão entre commodities e o IBOV afundava de −0,25 para −1,25 desvio-padrão — e medida em reais, mais fundo ainda, de −0,45 para −1,36. A Selic seguia cravada em 13,75% ao ano e o IPCA do mês marcou apenas 0,23%, com o dólar a R$ 4,98.

O que aconteceu depois

O cais ficou mais vazio antes de encher. Em julho, a razão em reais já havia despencado a −2,68, um dos pisos da série — o abandono de maio não tinha tocado o fundo. Só em agosto/2023 veio a primeira recomposição: o bloco devolveu +1,03 de desvio e subiu a −1,65, quando a euforia cedeu e o dinheiro voltou a procurar o que estava barato. Mas a volta foi titubeante. Em novembro, com a bolsa subindo liderada por cíclicos e finanças, as commodities fizeram o contrário e se afastaram de novo, de −0,81 para −1,53 — não embarcaram na festa doméstica. A reabilitação plena só chegou um ano depois: em maio/2024, a razão saltou de −0,076 para +1,595, de volta ao topo. Só que o motivo não era apetite — era o real a R$ 5,13.

O que não aconteceu

As matérias-primas não foram deixadas para trás por fraqueza do país — foram deixadas porque a bolsa local achou histórias melhores. E quando voltaram ao topo, não voltaram por mérito próprio: não foi a demanda global que as resgatou, foi o câmbio. A leitura ingênua — "commodities no topo, logo o mundo quer o Brasil de novo" — teria confundido moeda fraca com apetite real. O salto de maio/2024 foi abrigo cambial, não retomada de ciclo.

Veredito honesto

O Radar acertou a direção: o capital de fato abandonou o complexo exportador quando o humor doméstico despertou. Mas o −1,25 não era o fundo — julho foi pior. E a lição maior veio só depois: a força da commodity medida em reais é, quase sempre, a sombra do dólar, não a vontade de arriscar. Quem lê o topo sem olhar o câmbio lê metade do gráfico.

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Personagens: Commodities

Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.

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